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28/Sep/2026

Insumos: setor prevê recuperação gradual do Agro

Segundo a Corteva, a redução dos juros e a recuperação dos preços das commodities devem contribuir para o saneamento dos balanços das empresas do agronegócio nos próximos 24 a 36 meses, mas o processo poderá resultar na saída de empresas que não conseguirem atravessar o período de ajuste financeiro. O setor enfrenta uma crise mais prolongada do que em ciclos anteriores, marcada por anos consecutivos de juros restritivos e deterioração financeira ao longo da cadeia. A crise se propaga entre os diferentes elos do agronegócio, começando pelo produtor rural e avançando para a distribuição de insumos e, posteriormente, para a indústria.

As fabricantes de insumos, por estarem mais distantes da origem do problema, tiveram maior tempo para identificar os primeiros sinais de deterioração e reforçar mecanismos de governança e proteção financeira antes que os efeitos chegassem com maior intensidade às revendas. Entre os principais instrumentos de proteção utilizados pela indústria está o barter, operação na qual o produtor recebe os insumos e realiza o pagamento com parte da produção futura. A participação média das operações de barter já supera 35%, embora esse percentual possa refletir principalmente a atuação dos grandes fabricantes de insumos. O mecanismo amplia a segurança das operações de crédito e passou a ter papel relevante na gestão da exposição financeira das empresas.

A próxima etapa envolve aproximar produtores e demais clientes do mercado de capitais por meio de operações estruturadas. A adoção dessas ferramentas tende a ocorrer inicialmente de forma gradual, mas a exposição durante o atual período de restrição de liquidez pode contribuir para que produtores mantenham esses instrumentos mesmo após a normalização das condições financeiras. A diversificação das fontes de financiamento reduz a dependência exclusiva do crédito bancário e amplia as alternativas de gestão da liquidez. A crise também provocou mudanças na estratégia das empresas do setor. A busca por participação de mercado perdeu espaço para a geração de caixa como prioridade de gestão.

O movimento representa uma mudança relevante na cultura empresarial do agronegócio, com maior atenção à liquidez, à estrutura de capital e à capacidade de atravessar ciclos adversos. Nesse contexto, a recuperação dos preços das commodities e a eventual redução dos juros poderão melhorar as condições financeiras das empresas ao longo dos próximos anos, mas os efeitos sobre os balanços tendem a ocorrer de forma gradual. O período de 24 a 36 meses deverá ser marcado pela recomposição da liquidez, redução do endividamento e seleção das empresas capazes de sustentar suas operações durante o processo de ajuste. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.