28/Sep/2026
O Porto de Santos (SP) enfrenta aumento do congestionamento com a chegada simultânea de grandes volumes de soja, açúcar, milho e café, em um cenário de maior concentração da janela de colheita. O principal desafio não está apenas no volume elevado de cargas, mas na disputa de diferentes commodities pela mesma infraestrutura logística, ampliando atrasos e custos operacionais. No embarque a granel, soja, milho e açúcar competem por capacidade ferroviária, acesso de caminhões e janelas de atracação. O café, por sua vez, transportado majoritariamente em contêineres, enfrenta gargalos no trânsito rodoviário, na capacidade dos terminais e na disponibilidade de equipamentos.
Esse processo gera um efeito de encadeamento sobre a logística, com o volume de exportações dificultando o escoamento da produção do interior, pressionando os pátios e reduzindo a disponibilidade de contêineres para embarques posteriores. Para exportadores e compradores internacionais, os efeitos são financeiros e operacionais. A lentidão nas rodovias e a menor produtividade do transporte elevam os custos logísticos, especialmente do frete doméstico. O risco de rolagem das reservas de embarque também aumenta em razão de atrasos e omissões de escala de navios, reduzindo a confiabilidade das operações.
A permanência prolongada de contêineres fora do ciclo operacional limita o retorno dos equipamentos e contribui para ampliar a escassez disponível para novos embarques. A dificuldade de liberação e reposicionamento de contêineres, principalmente dos equipamentos de 20 pés utilizados no transporte de café, também está relacionada a desequilíbrios em outros portos. O problema, portanto, ultrapassa a infraestrutura doméstica e reflete uma disrupção na rede global de navegação. Atrasos ou interrupções nas rotações dos navios reduzem a chegada de contêineres vazios a Santos, enquanto a menor velocidade de evacuação dos equipamentos intensifica os gargalos. Para o quarto trimestre, a StoneX projeta fretes mais elevados na rota entre Santos e os Estados Unidos, com possibilidade de aumento das sobretaxas de alta temporada.
Parte do volume previsto para o terceiro trimestre pode ser deslocada para o período seguinte, ampliando a pressão sobre a infraestrutura. O cenário também envolve risco de aumento dos cancelamentos de viagens, conhecidos como blank sailings, e de persistência da escassez de contêineres. O ambiente internacional reforça essa pressão. Os armadores estariam direcionando navios de maior porte para rotas consideradas mais rentáveis, enquanto ligações como a rota entre Brasil e Estados Unidos passam a operar com embarcações menores. A redução da capacidade disponível nessa conexão tende a elevar os custos logísticos e aumentar a pressão sobre toda a cadeia de exportação brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.