28/Sep/2026
Segundo a StoneX, a eventual confirmação de uma suspensão das exportações de diesel pelos Estados Unidos, combinada ao veto às vendas externas adotado pela Rússia em julho e prorrogado até outubro, poderia transformar um problema de abastecimento doméstico em uma crise global, diante das poucas alternativas disponíveis no mercado internacional. A avaliação aponta redução da oferta global e maior dificuldade de reposição do combustível. Nos últimos dias, aumentaram as preocupações com um possível desabastecimento de diesel no Brasil diante da queda das importações e da possibilidade de restrições às exportações norte-americanas. Apesar da redução do fluxo externo, a avaliação é de que um cenário de desabastecimento nacional e sistêmico permanece improvável, pois o recuo das importações foi parcialmente compensado pelo aumento significativo da produção das refinarias brasileiras. A Petrobras vem operando suas refinarias com fator de utilização (Fut) acima de 100%.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também autorizou o aumento do refino de diesel pela Refinaria de Mataripe, na Bahia, controlada pela Acelen, braço de energia no Brasil do grupo árabe Mubadala. A ampliação da produção doméstica tende a contribuir para reduzir os efeitos de uma eventual menor disponibilidade de diesel importado. A oferta global de petróleo e, consequentemente, de diesel vem diminuindo desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. O quadro se agravou com ataques recentes a refinarias no leste europeu e no Oriente Médio. Os Estados Unidos são atualmente os principais fornecedores de diesel para o Brasil, o que aumenta a exposição do mercado brasileiro a eventuais restrições nas exportações norte-americanas. A estimativa é de que entre 13% e 15% da capacidade global de processamento de petróleo esteja fora de operação. A Rússia concentra parcela relevante desse volume, com aproximadamente 4 milhões de barris por dia suspensos em razão de manutenções programadas.
A menor capacidade de refino contribui para o aumento do crack spread, diferença entre os preços do petróleo e do diesel, que já superou US$ 100,00 pela primeira vez. Caso os Estados Unidos efetivamente suspendam as exportações de diesel, o impacto no Brasil tende a ser mais relevante nas regiões com menor participação do combustível de origem doméstica, especialmente Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Nessas áreas, podem ocorrer episódios temporários de falta de produto em razão de dificuldades logísticas e atrasos nas entregas. Para os próximos meses, a expectativa é de participação maior do refino nacional na composição da oferta de diesel no Brasil. Entretanto, a manutenção de fatores de utilização elevados nas refinarias também aumenta a necessidade de paradas para manutenção, o que pode limitar parte da capacidade adicional de produção e manter a oferta doméstica sensível às condições operacionais do parque de refino. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.