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21/Sep/2026

Hidrovias: seca no Norte pode elevar custo logístico

Segundo estudo da A&M Infra, da Alvarez & Marsal, elaborado para a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), a seca provocada pelos efeitos do El Niño na Região Norte pode elevar em até 150% o custo do transporte de contêineres com destino a Manaus (AM), O impacto decorre principalmente da redução do calado disponível para a navegação, que limita a capacidade de carga dos navios e eleva o custo unitário das operações. Em um cenário de redução de 2 metros no calado, a capacidade de transporte dos navios recua 35%, enquanto o custo unitário aumenta 63%. Em uma situação mais severa, com redução de 3,2 metros no calado disponível, a capacidade de transporte cai 55%.

O estudo aponta que grande parte dos custos da viagem permanece mesmo com menor volume de carga transportada, enquanto a estiagem também pode provocar atrasos, omissões de escalas, necessidade de armazenagem adicional e adoção de alternativas logísticas. As estimativas consideram como referência a seca registrada na região em 2023 e 2024. Em outubro de 2023, a baixa profundidade dos rios chegou a impedir a passagem de navios por várias semanas, provocando queda de 85% na movimentação de contêineres em Manaus em relação a agosto, mês de pico. Em 2024, mesmo com a utilização de píeres flutuantes em Itacoatiara para reduzir o risco de paralisação, a movimentação de contêineres recuou 55% em outubro e 41% em novembro, na comparação com julho.

A estrutura logística de Manaus apresenta poucas alternativas para substituir o transporte hidroviário, o que aumenta a exposição da região às condições de navegabilidade dos rios. O estudo alerta que as hidrovias podem enfrentar condições ainda mais severas de estiagem em 2027 em razão da atuação do El Niño, ampliando os riscos para o abastecimento e para o fluxo de mercadorias destinados à capital amazonense. O estudo também avalia a adoção de uma sobretaxa de seca, mecanismo destinado a compensar os custos extraordinários provocados pela baixa navegabilidade e contribuir para a continuidade dos serviços de transporte.

Instrumentos semelhantes são utilizados em rotas sujeitas a restrições hídricas no Rio Reno, no Canadá e no Canal do Panamá. Medidas emergenciais podem preservar a operação durante períodos de baixa dos rios, mas não eliminam os problemas estruturais de navegabilidade. A entidade defende investimentos que reduzam a recorrência das restrições e aumentem a previsibilidade da logística hidroviária. Entre as alternativas apontadas está a concessão das hidrovias, que poderia ampliar a previsibilidade e a eficiência das dragagens e reduzir o risco de atrasos ou de intervenções realizadas fora do período adequado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.