18/Sep/2026
A defasagem entre os preços do diesel no Brasil e no mercado internacional aumenta o risco de restrições de abastecimento em um período crítico para o agronegócio. O Brasil não produz volume suficiente para atender integralmente à demanda interna e, nesta época do ano, produtores se preparam para o escoamento da safra 2025/2026 e para o plantio da safra 2026/2027, que, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), deve atingir novo recorde. O consumo de diesel tradicionalmente alcança seus maiores níveis justamente nesse período. As encomendas de importadores respondem por entre 25% e 30% do volume de diesel consumido no País, mas os pedidos para outubro estão muito abaixo do volume que chega ao mercado em setembro. Até o momento, foram registrados pedidos de apenas 150 mil metros cúbicos para entrega em outubro, ante 850 mil metros cúbicos previstos para chegar ao longo deste mês.
Já há relatos de falta de diesel no interior do Rio Grande do Sul. A baixa atratividade econômica das importações está diretamente relacionada à diferença entre os preços domésticos e internacionais. O litro do diesel no mercado interno está R$ 3,89 abaixo do preço praticado no exterior, uma defasagem de 119%, o que reduz o interesse dos importadores em contratar novos volumes. A Petrobras não reajusta o preço do diesel vendido em suas unidades no Brasil desde 13 de março deste ano, quando o petróleo Brent alcançou US$ 103,14 por barril após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã. Como a companhia possui posição dominante no mercado de refino, seus preços funcionam como referência para o mercado doméstico. Enquanto isso, o Brent voltou a se aproximar de US$ 110,00 por barril nesta semana, em meio ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já reconheceu que a importação de combustíveis se torna economicamente inviável quando os preços domésticos ficam abaixo das cotações internacionais. Nesse cenário, o importador assume o custo de aquisição no exterior e precisa revender o produto no mercado brasileiro por um preço inferior, eliminando a margem necessária para a operação. Com a retração das compras privadas, a Petrobras passou a assumir participação maior no mercado de diesel importado. A estimativa é de que a companhia esteja atualmente adquirindo 80% do diesel importado pelo País, elevando sua exposição ao custo internacional do combustível e à necessidade de garantir o abastecimento doméstico. O cenário ocorre em um momento de escassez global de derivados, associado às restrições no Estreito de Ormuz e à proibição de exportações pela Rússia.
As condições internacionais aumentam o custo de reposição do diesel e podem ampliar o impacto financeiro sobre a Petrobras caso a companhia precise elevar sua participação nas importações para assegurar o abastecimento interno. Desde março, o governo federal anunciou medidas como subsídios e subvenções destinadas a conter os preços dos combustíveis. O quadro atual, porém, combina preços domésticos defasados, menor participação dos importadores privados e maior dependência da Petrobras para garantir a oferta, em um período de elevada demanda do setor agropecuário. O episódio envolvendo a gasolina também adicionou incerteza à formação dos preços dos combustíveis. Na semana passada, a Petrobras anunciou um reajuste da gasolina e voltou atrás horas depois. O movimento ocorreu a menos de um mês das eleições e em meio à orientação do governo de buscar maior alinhamento dos preços dos combustíveis às condições domésticas, o que ampliou as dúvidas sobre os critérios que vêm orientando a política de preços da companhia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.