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17/Sep/2026

Diesel: preço recorde nos EUA pressionando custos

O preço do diesel nos Estados Unidos atingiu recorde e começou a pressionar consumidores e empresas, com impactos sobre margens de agricultores e transportadoras e aumento dos custos de aquecimento residencial para famílias que utilizam óleo combustível. A escalada também passou a afetar ações de empresas expostas aos custos de transporte, enquanto analistas e autoridades discutem a possibilidade de restringir as exportações norte-americanas do combustível. No setor agrícola, produtores relatam aumentos de dois dígitos nos preços do diesel utilizado em tratores e colheitadeiras, justamente no início da temporada de colheita nos Estados Unidos. O aumento dos custos de combustível eleva as despesas operacionais em um período de intensa utilização de máquinas agrícolas.

No varejo, o diesel atingiu nesta quarta-feira US$ 6,31 por galão, segundo a AAA, alta de US$ 0,37 em uma semana e de US$ 0,86 em um mês. Em relação a um ano antes, quando o combustível custava US$ 3,70 por galão, o aumento é de aproximadamente 70%. A avaliação é de que alguns Estados norte-americanos podem registrar preços próximos de US$ 7 por galão em breve. O óleo de aquecimento, que possui composição química semelhante à do diesel, também registra forte valorização. O gasto médio de uma residência que utiliza esse combustível pode alcançar aproximadamente US$ 2.520,00 durante o inverno do Hemisfério Norte, ante US$ 1.749,00 no inverno passado, segundo estimativa da National Energy Assistance Directors Association.

A alta dos derivados é associada ao desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional. A guerra no Irã reduziu os embarques de petróleo e combustíveis do Oriente Médio, enquanto ataques ucranianos contra refinarias russas reduziram a produção de derivados. A Rússia, por sua vez, restringiu exportações para ampliar o abastecimento do mercado doméstico, contribuindo para reduzir a oferta disponível no mercado internacional. Os Estados Unidos aumentaram as exportações de diesel para compensar parte da redução da oferta global, mas as refinarias norte-americanas operam próximas do limite de capacidade. Paralelamente, os estoques domésticos de diesel estão cerca de 13% abaixo dos níveis registrados um ano antes, restringindo a margem de segurança do mercado.

A combinação entre estoques menores, demanda elevada e oferta internacional limitada reacendeu a discussão sobre uma eventual proibição das exportações de diesel pelos Estados Unidos. A possibilidade passou a ser considerada por analistas como uma alternativa para ampliar a disponibilidade doméstica e conter a pressão sobre os preços, enquanto integrantes do governo e do Congresso avaliam a medida. A possibilidade de restrição também enfrenta resistência da indústria. Produtores de combustíveis alertam que uma proibição poderia distorcer o mercado internacional e reduzir a oferta no médio prazo. Os Estados Unidos nunca adotaram anteriormente uma proibição de exportações de diesel, o que acrescenta incerteza sobre os efeitos de uma eventual mudança na política comercial do combustível. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.