16/Sep/2026
O impacto do El Niño sobre o sistema elétrico brasileiro, combinado às incertezas do setor, elevou a volatilidade dos preços futuros de energia elétrica em agosto e no início de setembro e estimulou as negociações na plataforma BBCE. Apesar da maior movimentação, os volumes permaneceram abaixo dos registrados em 2025 e em 2024, quando a volatilidade também impulsionou os negócios e contribuiu para que a BBCE registrasse seu melhor resultado histórico. Em agosto, os preços futuros de energia apresentaram movimentos distintos conforme o período de fornecimento. Os contratos de curto prazo, referentes aos últimos meses de 2026, recuaram diante do aumento do volume de chuvas no Sul e no Sudeste do Brasil, influenciado pelo El Niño. Para 2027, o comportamento foi diferente, com os preços refletindo preocupações sobre a possibilidade de o fenômeno climático provocar seca mais intensa no Norte, região em que as hidrelétricas apresentam maior geração justamente no período mais sensível do ano.
O contrato de energia para setembro recuou 5,27% em agosto, encerrando o mês a R$ 178,91 por MWh. Para outubro, a queda foi de 10,13%, para R$ 227,17 por MWh. Na direção oposta, o contrato referente ao primeiro trimestre de 2027 avançou 7,29% no mesmo período, para R$ 320,87 por MWh. A diferença de comportamento entre os vencimentos reflete a influência das condições hidrológicas sobre as expectativas de oferta ao longo do horizonte de contratação. A maior volatilidade estimulou os agentes a ajustar posições e acelerou o fechamento de negócios na BBCE. O número de contratos transacionados alcançou 4.535 operações em agosto, aumento de 10,85% em relação a julho, mas queda de 24,81% ante agosto de 2025. Desse total, os contratos negociados em tela somaram 2.720 operações, alta de 22,25% na comparação com julho de 2026. A BBCE registra retomada gradual das operações desde abril, quando apresentou o pior desempenho do ano em razão da redução da liquidez do mercado após a Tradener, comercializadora tradicional do setor, obter proteção judicial contra execuções e ações, em um processo que inicialmente envolvia ajustes em termos contratuais já acordados.
O episódio provocou redução da liquidez e aumento da incerteza, com recuperação gradual das operações nos meses seguintes. Apesar da elevação do número de contratos, o volume energético negociado ainda apresenta ritmo mais fraco. Foram comercializados 20 TWh em contratos futuros de energia em agosto, queda de 26,01% ante julho e de quase 40% em relação a agosto de 2025. Em valor financeiro, o recuo foi ainda maior, influenciado também pelos preços mais baixos. O giro alcançou R$ 4,45 bilhões, redução de 26,69% frente a julho e de 46,77% na comparação com agosto do ano passado. A restrição de crédito continua limitando operações de maior volume, especialmente entre agentes de menor porte. Esse cenário favorece uma concentração das negociações entre participantes maiores, que passaram a responder por uma parcela mais significativa dos contratos fechados na BBCE. A combinação entre menor liquidez financeira e maior concentração reduz a capacidade de expansão dos volumes energéticos, mesmo diante de um ambiente de maior volatilidade dos preços.
No início de setembro, a tendência observada em agosto continuou, com os preços mantendo trajetória de queda enquanto o número de negócios acelerou. Na primeira semana do mês, foram registradas 2.045 transações, alta de 44,8% em relação ao mesmo período de agosto. O volume energético negociado cresceu 19,6%, para 8,3 TWh, enquanto o giro financeiro alcançou R$ 1,63 bilhão, aumento de 26,4%. O comportamento dos contratos mostra que o El Niño passou a exercer influência diferenciada sobre as expectativas de oferta de energia, dependendo do período de entrega. Chuvas mais volumosas no Sul e no Sudeste favorecem a disponibilidade no curto prazo e pressionam as cotações, enquanto o risco de seca no Norte amplia a percepção de risco para 2027. Nesse ambiente, a volatilidade tende a continuar estimulando a gestão de posições e a geração de negócios, embora a restrição de crédito e a concentração entre agentes de maior porte mantenham os volumes abaixo dos níveis observados em períodos anteriores de maior liquidez. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.