ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

15/Sep/2026

Fertilizantes: diversificação para reduzir os riscos

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) defende uma política de diplomacia de neutralidade para reduzir a vulnerabilidade do Brasil em cadeias estratégicas, especialmente a de fertilizantes. A estratégia busca ampliar e preservar as relações políticas, comerciais e geopolíticas com todos os parceiros possíveis, evitando o isolamento e mantendo canais abertos de cooperação e fornecimento em um cenário de maior instabilidade internacional. A diversificação das relações é considerada particularmente relevante para os fertilizantes, diante da elevada dependência brasileira de importações.

O Brasil está entre os maiores produtores de alimentos do mundo, mas importa entre 83% e 90% dos fertilizantes que utiliza. Nesse contexto, a manutenção de relações com produtores do Oriente Médio, região sujeita a conflitos e interrupções logísticas, e com a Rússia, tradicional fornecedora do Brasil, é estratégica para reduzir riscos de ruptura de oferta e de aumento da volatilidade dos preços. A política industrial brasileira passou, desde 2023, a incorporar a agroindústria como uma de suas missões prioritárias, incluindo iniciativas relacionadas aos fertilizantes. A estratégia também ganhou respaldo institucional com a recente aprovação, pelo Congresso, de uma política nacional de fertilizantes, voltada à ampliação da produção doméstica e à redução da dependência externa.

A meta do governo é reduzir gradualmente a participação dos fertilizantes importados no consumo brasileiro, chegando a 50% até 2050. A ampliação da produção nacional, entretanto, depende de investimentos e de desenvolvimento tecnológico, o que impede uma redução imediata da dependência externa. A expectativa é de que os primeiros efeitos da estratégia de redução das importações comecem a aparecer nos próximos cinco anos. A formação de estoques estratégicos também é apontada como mecanismo para reduzir a exposição do País a interrupções nas cadeias globais de suprimentos.

O governo mantém reservas e realiza investimentos destinados a garantir o abastecimento em períodos de entressafra, ampliando a capacidade de resposta diante de choques externos. A estratégia combina diversificação de fornecedores, aumento da produção doméstica e formação de estoques, com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro diante de conflitos geopolíticos, restrições comerciais e interrupções logísticas. A manutenção de canais de relacionamento com diferentes polos produtores permanece, nesse contexto, como instrumento para preservar a segurança de abastecimento e limitar os impactos de choques externos sobre os custos de produção agrícola. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.