11/Sep/2026
A Rumo inicia em setembro as obras do novo terminal de grãos e fertilizantes no Porto de Santos (SP), empreendimento de R$ 2,5 bilhões desenvolvido em parceria com a cooperativa norte-americana CHS. O projeto integra a estratégia de expansão da capacidade logística da companhia para acompanhar o crescimento da produção agrícola e industrial do Centro-Oeste e ampliar o fluxo ferroviário em direção ao principal complexo portuário do País. O novo terminal será instalado na área operada pela DP World, na margem esquerda do Porto de Santos, e terá capacidade para movimentar 12,5 milhões de toneladas por ano, sendo 9 milhões de toneladas de grãos e 3,5 milhões de toneladas de fertilizantes. A estrutura deverá ampliar a capacidade de recebimento e embarque de cargas que serão transportadas pela malha ferroviária a partir do Centro-Oeste.
Em Mato Grosso, o terminal da Rumo às margens da BR-070, em Dom Aquino, inaugurado em junho, deverá movimentar cerca de 3 milhões de toneladas em 2026 e alcançar plena operação em 2027. A unidade já estava movimentando cargas antes da inauguração oficial e possui capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano. O terminal integra a primeira fase da Ferrovia Estadual de Mato Grosso. Em junho, a Rumo entregou os primeiros 162 quilômetros da nova ferrovia, entre Rondonópolis e Dom Aquino, após investimentos superiores a R$ 5 bilhões. A ampliação dos acessos rodoviários é apontada como um dos principais desafios para elevar a utilização da unidade. Nesse contexto, o avanço da concessão da MT-140 é considerado relevante para o fluxo de cargas até o terminal e pode reduzir em quase 200 quilômetros determinados percursos rodoviários.
A BR-070 também é estratégica, embora apresente trechos em pista simples. A Ferrovia Estadual de Mato Grosso constitui o principal projeto de expansão da Rumo no Estado. Quando concluída, a malha terá mais de 700 quilômetros, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com um ramal até Cuiabá. O traçado completo informado pela companhia terá cerca de 743 quilômetros. O projeto busca ampliar a cobertura ferroviária sobre uma das principais regiões produtoras de soja e milho do Brasil e conectar os volumes ao corredor ferroviário com destino ao Porto de Santos. A expansão ferroviária em Mato Grosso e a construção do novo terminal em Santos fazem parte de uma mesma estratégia logística. O aumento da capacidade de captação de cargas no Estado exige infraestrutura portuária adicional para receber os volumes transportados por ferrovia até Santos.
A integração entre produção, ferrovia e porto tende a reduzir gargalos e ampliar a competitividade do escoamento de grãos, fertilizantes e outros produtos. A Rumo também mantém como objetivo avançar com a ferrovia em direção ao norte de Mato Grosso, a partir de Dom Aquino. A continuidade da expansão, contudo, depende de uma estrutura de financiamento capaz de sustentar os investimentos necessários. Nesse contexto, a preservação das debêntures de infraestrutura é considerada relevante pela companhia, já que o instrumento responde atualmente por cerca de dois terços da carteira de financiamento da Rumo. A expansão da malha ferroviária também deverá abrir espaço para novas cargas, especialmente com o crescimento da produção de DDG, coproduto do processamento do milho para produção de etanol e utilizado principalmente na alimentação animal.
A ampliação da capacidade de exportação pelo Porto de Santos tende a ganhar importância diante da expectativa de aumento da produção de DDG, acompanhando a expansão do processamento doméstico de milho e da produção agrícola e industrial no Centro-Oeste. A perspectiva é de mudança gradual no perfil das cargas transportadas pela ferrovia, com maior diversificação além dos fluxos tradicionais de soja e milho. O crescimento da produção de DDG reforça a necessidade de ampliar a capacidade logística integrada entre as regiões produtoras e os portos exportadores, enquanto a expansão ferroviária e portuária cria condições para absorver volumes adicionais nos próximos anos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.