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11/Sep/2026

Hidrovias: dragagem pode reduzir custos logísticos

Segundo a Cargill, o Brasil precisa avançar na dragagem e na manutenção das hidrovias para ampliar a participação do transporte fluvial e reduzir o custo logístico do agronegócio. O País dispõe de uma infraestrutura natural de baixo custo, mas depende da manutenção das condições regulares de navegação e de maior integração entre hidrovias, ferrovias e rodovias. A hidrovia é considerada uma alternativa de baixo investimento em capital em relação a outros modais, mas sua utilização depende de intervenções de manutenção, especialmente dragagem, para garantir condições adequadas de navegação. A expansão dessa infraestrutura precisa, contudo, observar critérios ambientais e considerar os impactos sobre as comunidades e os ecossistemas envolvidos.

O desenvolvimento das vias navegáveis deve estar inserido em uma estratégia logística mais ampla, baseada na competição entre rodovias, ferrovias e hidrovias. A disponibilidade de diferentes alternativas para o transporte de uma mesma carga tende a aumentar a competição entre os modais, reduzir os custos de frete e diminuir a dependência de uma única infraestrutura. Essa integração é considerada relevante para preservar a competitividade brasileira no mercado internacional de commodities agrícolas. A discussão ocorre meses após protestos de povos indígenas do Baixo Tapajós contra planos de dragagem no rio. Em dezembro de 2025, o governo federal abriu licitação de R$ 74,8 milhões para serviços de dragagem de manutenção no trecho entre Santarém e Itaituba, no Pará.

Em fevereiro, indígenas ocuparam o terminal da Cargill em Santarém e reivindicaram consulta prévia às comunidades potencialmente afetadas. O governo suspendeu o pregão e estabeleceu que empreendimentos relacionados à Hidrovia do Tapajós seriam precedidos de consulta livre, prévia e informada, conforme previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Em julho, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) somente retome a licitação após a obtenção da licença ambiental prévia e a realização da consulta às comunidades potencialmente afetadas. O tribunal registrou que os serviços de dragagem ainda não haviam começado.

O Rio Tapajós constitui um corredor estratégico para o escoamento de soja e milho produzidos na Região Centro-Oeste por meio do Arco Norte. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a hidrovia movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, alta de 14,3% ante o ano anterior. Soja e milho responderam por 88,4% desse volume, evidenciando a relevância da via para a logística das principais commodities agrícolas brasileiras. A Cargill opera uma estação de transbordo em Miritituba, com capacidade de movimentação de 4 milhões de toneladas por ano, além de um terminal em Santarém, com capacidade anual de embarque de 4,9 milhões de toneladas. A infraestrutura da companhia está diretamente inserida no corredor logístico utilizado para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste pelo Arco Norte. A necessidade de manutenção das hidrovias ganhou relevância após as estiagens severas registradas na Amazônia em 2023 e 2024, que reduziram os níveis dos rios e impuseram restrições à navegação.

O governo estima que o Brasil disponha de cerca de 41 mil quilômetros de malha hidroviária, dos quais aproximadamente 21 mil quilômetros são navegáveis. Desse total, apenas 48% da capacidade considerada economicamente viável é explorada. A ampliação da utilização das hidrovias depende, portanto, de investimentos em manutenção e de uma maior integração com os sistemas ferroviário e rodoviário. A expansão da produção agrícola brasileira aumenta a necessidade de alternativas para o transporte de soja, milho, fertilizantes e outras cargas, tornando a eficiência logística um fator relevante para a competitividade internacional do agronegócio. A combinação entre modais, com maior utilização das hidrovias onde houver viabilidade econômica e ambiental, pode contribuir para reduzir custos de frete e ampliar a capacidade de escoamento da produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.