04/Sep/2026
Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor de máquinas e equipamentos revisou de 3,2% para 8,4% a projeção de queda da receita líquida total em 2026. A piora das perspectivas é atribuída ao patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic, e ao avanço da participação de máquinas importadas da China no mercado doméstico. A entidade também revisou a projeção para a receita do mercado interno, cuja estimativa de queda passou de 3,6% para 7,7%. Para as exportações, a previsão foi alterada de crescimento de 6,4% em dólar para retração de 1,1% neste ano. O nível elevado da Selic continua desestimulando investimentos e novas aquisições de máquinas e equipamentos, aumentando o custo de financiamento e reduzindo a demanda doméstica. As importações vêm ampliando sua participação no consumo nacional, com destaque para os produtos chineses.
Dados da Abimaq mostram que as máquinas importadas representaram 47,4% do consumo nacional no acumulado de janeiro a julho, aumento de 1,7 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. A expansão foi impulsionada principalmente pela China, cujas vendas para o Brasil cresceram 16,9% no período e passaram a representar 36,2% do total importado pelo País. Nas demais origens, as importações recuaram 2,6%. O avanço sustentado das importações chinesas representa um desafio adicional para a indústria nacional, especialmente em segmentos nos quais os fabricantes brasileiros enfrentam dificuldades para competir em custos. A combinação entre mercado doméstico em retração e aumento da concorrência externa intensifica a pressão sobre a receita do setor. As importações brasileiras de máquinas e equipamentos somaram US$ 2,95 bilhões em julho, alta de 2,1% em relação a julho de 2025 e de 3,3% ante junho.
No acumulado de janeiro a julho, as compras externas alcançaram US$ 19,22 bilhões, avanço de 3,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. As exportações do setor totalizaram US$ 1,13 bilhão em julho, queda de 10,9% em relação ao mesmo mês de 2025, embora tenham registrado alta de 4,2% ante junho. No acumulado de janeiro a julho, as vendas externas alcançaram US$ 7,63 bilhões, crescimento de 8,4%, impulsionado por segmentos como componentes e infraestrutura. Parte do crescimento das exportações no acumulado do ano, contudo, está associada à baixa base de comparação do início de 2025, quando houve enfraquecimento da atividade industrial norte-americana. A América do Sul foi o principal mercado externo para as máquinas brasileiras entre janeiro e julho, com US$ 2,56 bilhões em compras, seguida pela América do Norte, com US$ 2,41 bilhões, e pela Europa, com US$ 998 milhões. Os demais mercados responderam por US$ 1,66 bilhão.
A receita líquida do setor alcançou R$ 24,4 bilhões em julho, queda de 8,9% na comparação com julho de 2025 e alta de 0,7% ante junho, considerando a métrica que filtra oscilações. No acumulado de janeiro a julho, a receita totalizou R$ 154,5 bilhões, recuo de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita no mercado interno somou R$ 18,7 bilhões em julho, queda de 5,3% na comparação com julho de 2025. Na métrica dessazonalizada, houve alta de 6,3% ante junho. No acumulado de janeiro a julho, a receita doméstica alcançou R$ 115,2 bilhões, retração de 15,3% na comparação anual. O consumo aparente de máquinas e equipamentos totalizou R$ 34,6 bilhões em julho, queda de 5,3% ante o mesmo período de 2025. Com esse resultado, o indicador acumulou retração de 12,5% entre janeiro e julho, evidenciando a fraqueza da demanda doméstica e o aumento da participação de produtos importados no mercado brasileiro. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.