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03/Sep/2026

Fertilizantes: Brasil deve reduzir compras em 2026

Segundo o Rabobank, os riscos de oferta de fertilizantes permanecem elevados no mercado global em razão dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e das interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz. O poder de compra dos fertilizantes continua negativo em todas as principais regiões consumidoras do mundo. O segmento de fosfatados apresenta o maior nível de restrição, com índice de acessibilidade de -0,59, influenciado pelos custos elevados do enxofre e da amônia. Para os nitrogenados, o índice de acessibilidade está em -0,17, enquanto para o potássio está em -0,08. No acumulado de 2026, o Rabobank projeta produção global de nitrogenados de 110 milhões de toneladas, para consumo de 109 milhões de toneladas.

A produção mundial de fosfatados é estimada em 32,2 milhões de toneladas de P2O5, com consumo de 31,6 milhões de toneladas. No potássio, a oferta deve atingir 45,0 milhões de toneladas de K2O, ante demanda de 44,7 milhões de toneladas. O consumo global de ureia deve recuar 5% em 2026 em relação a 2025. Entre janeiro e julho de 2026, o valor total das importações mundiais do produto ficou 20% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. A acessibilidade da ureia atingiu o menor nível em meados de abril de 2026, com expectativa de recuperação gradual no segundo semestre. No mercado de fosfatados, as exportações globais de enxofre recuaram cerca de 40% no primeiro semestre de 2026 ante igual período do ano passado. O Oriente Médio responde por 43% das exportações globais do insumo e teve os embarques reduzidos pela metade em consequência do bloqueio do Estreito de Ormuz.

O preço médio do enxofre em 2026 alcançou US$ 733 por tonelada métrica, equivalente a 2,7 vezes a média registrada em 2025. A demanda mundial por fosfatados deve cair 7,0% em 2026 e 5,0% em 2027, configurando três anos consecutivos de redução do consumo. A acessibilidade desse nutriente deve permanecer negativa até, pelo menos, julho de 2027. No segmento de potássio, as importações globais somaram 29,3 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026, alta de 7% em relação ao mesmo período de 2025. As compras da China aumentaram 40%, enquanto as do Brasil avançaram 6%. Para 2026, a demanda mundial por potássio deve permanecer estável ante 2025. No Brasil, as entregas de fertilizantes aos agricultores alcançaram o recorde de 49,1 milhões de toneladas em 2025, aumento de 8% em relação a 2024.

Para 2026, porém, a estimativa de entregas no País foi reduzida para 45,1 milhões de toneladas, ante 47,0 milhões de toneladas projetadas anteriormente pelo banco em abril. O endividamento e os níveis de inadimplência dos produtores brasileiros estão reduzindo o poder de compra no mercado nacional. O índice de acessibilidade dos fertilizantes no Brasil caiu de 0,05 em janeiro de 2026 para -0,14 em abril. Entre os nitrogenados, o indicador recuou de 0,22 para -0,25 no mesmo período, mas se recuperou para 0,19 em julho. As importações brasileiras de MAP recuaram 24% em volume no primeiro semestre de 2026 ante igual período de 2025. O aumento de 40% nas compras de TSP reduziu para 8% o déficit de P2O5 no semestre. As importações de ureia pelo Brasil caíram 31% no primeiro semestre, enquanto as de nitrogênio total recuaram 22%. As importações de potássio, por outro lado, aumentaram 6% no período. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.