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03/Sep/2026

Fertilizantes: Cone Sul mira produção regional de ureia

A integração gasífera entre os países do Mercosul, Chile e a produção regional de fertilizantes foram debatidas em Montevidéu, no Uruguai, em evento promovido pela Organização Latino-Americana e Caribenha de Energia (OLACDE) e pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), com apoio da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA). A agenda busca ampliar a cooperação regional entre energia, agropecuária, infraestrutura e comércio, com foco em iniciativas de longo prazo e resultados práticos. A OLACDE e o CAF apresentaram os resultados da Fase VI do Projeto Regional de Integração Gasífera do Mercosul e Chile, que avalia o aproveitamento da crescente oferta de gás natural para ampliar a produção regional de fertilizantes nitrogenados. Em 2025, os países do Mercosul e o Chile consumiram 21,4 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados e produziram 1,8 milhão de toneladas, fazendo com que aproximadamente 92% da demanda fosse atendida por importações, que totalizaram US$ 6,513 bilhões.

No caso específico da ureia, as importações da região alcançam cerca de 10 milhões de toneladas por ano, com desembolso aproximado de US$ 4 bilhões. O volume é relevante diante de uma região que exporta mais de US$ 250 bilhões anuais em produtos agrícolas. O estudo da OLACDE aponta que os recursos gasíferos disponíveis no Cone Sul têm potencial para substituir integralmente as importações de ureia por produção regional competitiva. Para isso, seria necessária uma demanda adicional de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural e investimentos próximos de US$ 15 bilhões. A perspectiva de expansão da indústria de fertilizantes está associada à crescente disponibilidade de gás natural no Cone Sul, especialmente a partir de Vaca Muerta, na Argentina, e das reservas do pré-sal brasileiro. O custo e a disponibilidade do gás representam componentes determinantes da competitividade da indústria de fertilizantes nitrogenados, o que amplia a importância da integração energética regional.

O estudo considera uma capacidade industrial instalada de 4,5 milhões de toneladas de fertilizantes e identifica projetos com potencial para adicionar cerca de 5 milhões de toneladas anuais. Também há espaço de mercado para duplicar essa expansão, reforçando o potencial de substituição de importações por produção regional. A análise avalia ainda os desafios relacionados à localização das novas unidades industriais e à logística de distribuição. A estratégia sugerida envolve diversificar a localização das plantas para equilibrar a proximidade das reservas de gás e dos principais mercados consumidores. A Argentina apresenta potencial para ampliar a capacidade por meio de projetos vinculados a Vaca Muerta. O Brasil aparece como o principal mercado potencial, concentrando cerca de 80% do consumo regional e apresentando oportunidades associadas à produção do pré-sal e à reativação de plantas da Petrobras. A Bolívia é apresentada como exemplo de integração entre oferta de gás e produção de fertilizantes. Com a entrada em operação da planta de Bulo Bulo, o país substituiu quase integralmente as importações de ureia e passou a exportar entre 200 mil e 500 mil toneladas por ano.

Em 2025, a Bolívia respondeu por 85% da ureia consumida pelo Paraguai. O IICA destacou a relação entre a integração energética e a segurança alimentar, considerando que os custos dos fertilizantes têm impacto direto sobre a rentabilidade da produção agropecuária e podem ser transferidos para os preços dos alimentos ao consumidor. Nesse contexto, a expansão da produção regional de ureia a partir da disponibilidade de gás natural é avaliada como uma estratégia com potencial para reduzir a dependência externa, fortalecer a segurança de abastecimento e integrar energia, agricultura e infraestrutura no Cone Sul. O CAF considera a integração regional uma ferramenta para articular recursos, capacidades produtivas e mercados em torno de objetivos comuns. A expansão da indústria regional de fertilizantes, apoiada pela disponibilidade de gás de Vaca Muerta e do pré-sal brasileiro, é apontada como uma das oportunidades concretas de integração econômica e energética. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.