03/Sep/2026
O novo herbicida Icafolin, uma das principais apostas da Bayer para a próxima década, não foi desenvolvido para substituir o glifosato e terá espectro diferente de controle de plantas daninhas, afirmou o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Bayer Crop Science, Michael Graham. Segundo o executivo, a estratégia da companhia é ampliar o número de ferramentas disponíveis ao produtor e, pela primeira vez, desenvolver simultaneamente uma nova molécula herbicida e características genéticas que permitam às culturas tolerar esse produto. “Não”, respondeu Graham ao ser questionado se o Icafolin poderia ser considerado o “novo glifosato”. Segundo ele, os dois produtos têm espectros de controle diferentes. O glifosato, ingrediente ativo de herbicidas da marca Roundup, é uma das moléculas mais conhecidas e utilizadas no manejo de plantas daninhas.
O Icafolin foi desenvolvido para outros alvos e integra uma estratégia em que diferentes herbicidas e características genéticas são combinados conforme o problema encontrado em cada lavoura. A Bayer apresenta o Icafolin como o primeiro novo modo de ação para controle pós-emergente de plantas daninhas em culturas extensivas em mais de 30 anos. A companhia inclui o produto entre os dez lançamentos considerados “blockbusters” de sua carteira para a próxima década e estima potencial de vendas de pico superior a € 750 milhões em meados dos anos 2030. A principal mudança, segundo Graham, está na forma como a tecnologia foi desenvolvida. Historicamente, a indústria primeiro criava o herbicida e, só depois de compreender seu funcionamento, começava a desenvolver plantas geneticamente tolerantes à molécula.
O executivo citou como exemplo o próprio glifosato e a posterior chegada da tecnologia Roundup Ready. “Do momento em que você desenvolvia a química até começar a pensar em como criar uma característica genética correspondente, havia um intervalo significativo”, afirmou. No novo modelo, as duas frentes avançam em paralelo. O sequenciamento genético da planta daninha permite identificar proteínas que podem servir de alvo ao herbicida. Ao mesmo tempo, o conhecimento sobre o modo de ação da molécula é usado pela equipe de biotecnologia para desenvolver uma característica genética que permita à cultura tolerar o produto. “As equipes se juntaram”, afirmou Graham. Segundo ele, o conhecimento utilizado para desenvolver o herbicida é compartilhado imediatamente com os pesquisadores responsáveis pela característica de tolerância. O executivo classificou essa integração como um avanço importante no processo de pesquisa da companhia.
Graham atribuiu a mudança ao avanço da inteligência artificial e da capacidade computacional. Segundo ele, transformar dados de sequenciamento genético em informações úteis para desenvolver moléculas e características genéticas exige ferramentas que não estavam disponíveis no modelo tradicional de P&D. “Isso teria sido impossível sem essas capacidades”, afirmou. A Bayer diz ter passado os últimos cinco anos desenvolvendo essa infraestrutura. O executivo também relacionou a estratégia ao avanço da resistência de plantas daninhas aos herbicidas. Em vez de depender de uma única molécula ou de um único modo de ação, a companhia pretende oferecer combinações de ferramentas químicas e genéticas com diferentes espectros de controle. “O que estamos tentando fazer é oferecer mais opções para que o produtor possa manejar as plantas daninhas de acordo com o que realmente acontece no campo, e não partir da ideia de que existe uma única maneira ou um único produto”, afirmou Graham. Fonte: Broadcast Agro.