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03/Sep/2026

Diesel: defasagem recorde no preço da Petrobras

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a defasagem do diesel atingiu, no fechamento de 1º de setembro, o recorde de R$ 3,04 por litro, equivalente a 93% do preço praticado nas refinarias da Petrobras e significativamente acima do subsídio de R$ 1,12 por litro concedido pelo governo. Mesmo considerando a subvenção, a diferença entre os preços domésticos e internacionais dificulta a realização de importações, uma vez que as distribuidoras priorizam a aquisição do combustível nas refinarias da Petrobras. Esse cenário reduz a atratividade das compras externas e amplia os desafios logísticos de abastecimento. Para setembro, está prevista a chegada de 600 mil metros cúbicos de diesel ao mercado brasileiro, metade do volume habitual.

Desse total, pouco mais de 100 mil m³ correspondem ao volume da Petrobras e 500 mil m³ às importações realizadas por empresas privadas. Até o fechamento da nota, a Petrobras não havia se manifestado sobre o cenário. A produção das refinarias brasileiras não é suficiente para atender integralmente à demanda doméstica, o que mantém espaço para a comercialização de produto importado. Entretanto, a elevada defasagem praticada pela Petrobras reduz o incentivo às importações e gera dificuldades logísticas, enquanto aumenta a demanda pela retirada de combustíveis diretamente das refinarias da estatal. A Abicom não projeta desabastecimento generalizado de diesel no País, mas avalia que a oferta mais restrita pode provocar falta pontual em determinadas regiões ao longo de setembro, mesmo com a possibilidade de entrada adicional de produto até o fim do mês.

A defasagem também pressiona a Petrobras, que precisa importar combustível e comercializá-lo internamente com preços inferiores aos praticados no mercado internacional, comprometendo as margens da companhia. A manutenção do cenário dependerá principalmente da trajetória do petróleo, que registrou alta em setembro e avançou para níveis superiores a US$ 95,00 por barril, após permanecer em torno de US$ 80,00 por barril durante agosto. Distribuidoras que não conseguem obter integralmente suas cotas junto à Petrobras precisam recorrer ao mercado internacional e às refinarias privadas, adquirindo combustível a preços mais elevados. Essa diferença tende a ser incorporada à formação dos preços ao consumidor e aumenta a pressão sobre os valores praticados nos postos.

Na Refinaria de Mataripe, na Bahia, controlada pela Acelen, a defasagem do diesel atingiu 32% na véspera, com o combustível comercializado pela refinaria a um desconto de R$ 1,50 por litro em relação à paridade. A gasolina apresenta risco menor de restrição de oferta por exigir menor volume de importações. Ainda assim, o produto registra diferença de aproximadamente R$ 1,00 por litro em relação aos preços externos, enquanto o subsídio concedido pelo governo é de R$ 0,44 por litro. A necessidade de importação de gasolina representa menos de 10% do consumo brasileiro, ante uma participação de 20% a 30% no caso do diesel. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.