02/Sep/2026
O mercado global de sementes, características biotecnológicas incorporadas às sementes e defensivos agrícolas deve crescer, em conjunto, cerca de 2% ao ano entre 2025 e 2030, conforme projeção da Bayer. A companhia prevê expansão mais acentuada nos segmentos de sementes e traits, características genéticas que conferem às plantas atributos como tolerância a herbicidas e proteção contra insetos. Para os defensivos agrícolas, a expectativa é de crescimento mais moderado, diante do avanço dos produtos genéricos, da maior competição entre fabricantes e da pressão sobre os preços. O crescimento dos mercados de sementes e biotecnologia deve ser sustentado principalmente pela expansão da área cultivada em determinadas regiões, pela substituição de variedades de polinização aberta por híbridos em mercados da África e da Ásia e pela eventual autorização de organismos geneticamente modificados (OGMs) em países que ainda mantêm restrições a essas tecnologias.
Essa combinação tende a ampliar o valor movimentado pelo mercado global de insumos agrícolas. A expansão da biotecnologia também está relacionada à dificuldade de controlar determinadas pragas exclusivamente por meio de defensivos. Em algumas situações, os insetos permanecem dentro da planta ou da espiga de milho, reduzindo a eficiência das pulverizações. Esse cenário aumenta a necessidade de tecnologias incorporadas às sementes capazes de ampliar a proteção das lavouras e reduzir riscos à produtividade e à segurança alimentar. No segmento de defensivos, a perspectiva também é de crescimento até 2030, porém em ritmo inferior ao projetado para sementes e biotecnologia. Entre os principais fatores de limitação estão a maior participação de produtos genéricos, a comoditização de ingredientes ativos e a concorrência de fabricantes com estruturas de menor custo. Esses fatores elevam a pressão competitiva e reduzem o potencial de valorização dos produtos.
O Brasil se destaca na avaliação da Bayer pelo tamanho e pela expansão de sua área agrícola, fatores que podem ampliar a influência do País sobre o desempenho das empresas globais de insumos. Outro diferencial é a possibilidade de realização de mais de uma safra na mesma área ao longo do ano, em contraste com determinadas regiões dos Estados Unidos, onde predomina um único ciclo anual. Essa característica interfere tanto no volume de sementes e defensivos demandado quanto na distribuição do calendário de vendas das empresas. O planejamento de aquisição também apresenta diferenças entre as categorias de insumos. O produtor normalmente define a semente que utilizará cerca de seis meses antes do plantio, enquanto parcela relevante das decisões de compra de defensivos ocorre mais próxima da semeadura ou durante o desenvolvimento das lavouras, conforme a ocorrência de plantas daninhas, doenças e pragas.
Com isso, condições climáticas e calendários agrícolas podem deslocar vendas entre diferentes períodos e dificultar comparações isoladas do desempenho trimestral das empresas de insumos. O Brasil também é considerado pela companhia um dos países mais avançados na adoção de práticas de agricultura regenerativa, ao lado da Alemanha. Essas práticas buscam combinar ganhos de produtividade com melhoria da qualidade e da saúde do solo. Os produtos biológicos também aparecem como uma frente de expansão do mercado, diante da busca dos agricultores por alternativas que permitam conciliar produtividade, rentabilidade e manejo ambiental. O mercado de biocombustíveis constitui outra frente de integração entre agricultura e indústria. Um modelo observado em uma usina brasileira de etanol de milho envolve a conversão de áreas anteriormente destinadas à pecuária para o cultivo do cereal, enquanto os animais são direcionados para sistemas de confinamento. O milho abastece a usina e parte do material retorna à alimentação animal na forma de grãos secos de destilaria (DDGs), coproduto da produção de etanol.
O esterco, por sua vez, é utilizado nas lavouras, criando um sistema integrado entre produção de grãos, pecuária e processamento industrial. Esse modelo pode reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos e a pegada de carbono do sistema, ao mesmo tempo em que amplia a produção de milho. A integração entre produção agrícola, pecuária e biocombustíveis tende a ganhar relevância à medida que o setor busca maior eficiência no uso de nutrientes, aproveitamento de coprodutos e redução da intensidade de carbono. Apesar da perspectiva de crescimento até 2030, o mercado global de insumos permanece sujeito a oscilações entre anos e regiões. Clima, preços de fertilizantes e combustíveis, condições de mercado e decisões relacionadas à área plantada interferem diretamente na rentabilidade dos produtores e, consequentemente, na demanda por sementes, biotecnologia e defensivos. A natureza cíclica do mercado agrícola pode provocar variações relevantes nos resultados das empresas de insumos entre diferentes períodos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.