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02/Sep/2026

Insumos: Bayer adapta pesquisa à mudança climática

A mudança climática já está alterando as decisões de pesquisa e desenvolvimento da Bayer Crop Science, desde a definição das características buscadas em novas sementes até o desenvolvimento de defensivos destinados a pragas e doenças que avançam sobre regiões onde anteriormente tinham pouca relevância. A companhia incorpora, desde as etapas iniciais de desenvolvimento das tecnologias, maior exposição a calor e seca e mudanças na distribuição dos problemas fitossanitários esperados para os próximos anos. A Bayer busca desenvolver variedades mais tolerantes a calor e seca e avaliar como as sementes precisam se adaptar às mudanças projetadas nas condições de cultivo de cada região. Na área de proteção de cultivos, a mesma estratégia orienta o desenvolvimento de novas misturas e formulações destinadas a pragas e doenças que passam a ocorrer em locais onde anteriormente não representavam problemas relevantes.

A mudança climática, portanto, passa a influenciar de forma transversal as plataformas tecnológicas da companhia e as decisões tomadas ainda nas fases iniciais dos projetos. Os impactos das condições climáticas mais extremas já podem ser observados nas áreas utilizadas pela própria Bayer para pesquisa e desenvolvimento. O centro de inovação da companhia em Iowa recebeu cerca de 1.120 milímetros de chuva neste ano e foi atingido, em julho, por ventos de aproximadamente 113 quilômetros por hora. Em períodos de precipitação excessiva, os produtores podem perder a janela adequada para realizar operações nas lavouras, aumentando a necessidade de tecnologias que ofereçam maior flexibilidade de manejo. Critérios relacionados à resistência a eventos climáticos extremos começaram a ser incorporados ao desenvolvimento das tecnologias da Bayer há cerca de uma década. A companhia trabalha, entre outras frentes, com sementes e sistemas de produção destinados a ampliar a tolerância das lavouras a vento, calor, seca e excesso de precipitação.

A experiência acumulada indica que a adaptação às novas condições climáticas já faz parte das tecnologias atualmente em desenvolvimento e não constitui apenas uma necessidade futura. A pressão climática tende a aumentar em uma das principais regiões produtoras de grãos do mundo. No Meio Oeste dos Estados Unidos, o número anual de dias com temperaturas superiores a 32°C pode quase triplicar, de 23 atualmente para 67 até 2050. A maior exposição ao calor ocorre em um ambiente que também combina maior volatilidade meteorológica, avanço da resistência de plantas daninhas e deterioração dos solos, ampliando os desafios para a manutenção da produtividade agrícola. A Bayer também está diretamente exposta aos efeitos da mudança climática por depender das lavouras para a multiplicação de sementes posteriormente comercializadas. Nesse contexto, aumentar a resiliência das operações e desenvolver tecnologias que permitam aos produtores enfrentar condições climáticas mais adversas passaram a ser prioridades estratégicas da companhia.

No Brasil, a Bayer já utiliza projeções climáticas de longo prazo para orientar pesquisas em soja e milho. A empresa combinou modelos meteorológicos utilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU) com modelos próprios para avaliar o comportamento do regime de chuvas no País nos próximos 20 e 40 anos. As projeções indicam que o volume total de precipitação no Brasil poderá permanecer relativamente semelhante ao atual no horizonte de 40 anos, mas com mudanças significativas na distribuição da água. A expectativa é de chuvas mais intensas, intercaladas por períodos maiores entre os episódios de precipitação. Dessa forma, um volume acumulado de chuva relativamente semelhante ao atual poderá se concentrar em eventos mais fortes, separados por períodos secos mais prolongados. Esse padrão cria períodos de déficit hídrico dentro de uma mesma estação e representa um desafio adicional para a manutenção da produtividade das lavouras.

Para a pesquisa agrícola, o desafio consiste em identificar quais características precisam ser modificadas nas plantas e quais ferramentas de melhoramento genético e biotecnologia podem contribuir para que soja e milho preservem a produtividade diante de intervalos maiores sem chuva. A necessidade permanece mesmo em regiões nas quais o volume total acumulado de precipitação não apresente alteração significativa. As projeções climáticas também são utilizadas para antecipar possíveis mudanças na geografia da produção agrícola. A Bayer busca avaliar com antecedência se determinadas tecnologias precisarão ser testadas em outras regiões, de modo que variedades e recomendações estejam disponíveis caso as condições de cultivo se desloquem. A antecipação é considerada necessária porque o desenvolvimento e a validação de novas tecnologias exigem tempo, e atrasos podem dificultar a adaptação dos produtores a novos ambientes agrícolas.

Eventuais ganhos de área agrícola em regiões mais ao norte, contudo, não são considerados suficientes para compensar automaticamente perdas de produtividade em outras partes do mundo. A possibilidade de produção em novas áreas depende não apenas da temperatura, mas também da disponibilidade de terras adequadas, das condições agronômicas e da quantidade de luz solar necessária para cada cultura. O impacto da mudança climática, portanto, atravessa diferentes culturas, regiões e plataformas de tecnologia da Bayer. A estratégia da companhia é antecipar os desafios relacionados ao calor, à seca, ao excesso de chuvas, aos eventos extremos e às alterações na distribuição de pragas e doenças, buscando desenvolver soluções capazes de preservar a produtividade agrícola em um ambiente de maior variabilidade climática. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.