02/Sep/2026
O avanço de marcos regulatórios específicos para a edição genômica tende a ampliar o espaço de utilização da tecnologia na agricultura e a aumentar a previsibilidade dos investimentos em novas variedades. Estados Unidos, Brasil, Argentina e Canadá já adotaram abordagens regulatórias que diferenciam a edição genômica da transgenia, enquanto a União Europeia também avança na implementação de regras específicas para a tecnologia. A edição genômica permite realizar alterações pontuais e direcionadas no DNA da própria planta, sem necessariamente introduzir genes de outra espécie, como ocorre na transgenia tradicional.
A tecnologia pode ser empregada para modificar características como arquitetura da planta, sistema radicular, produtividade e tolerância a condições adversas, ampliando as possibilidades de desenvolvimento de variedades com atributos específicos. No Brasil, a diferenciação regulatória está prevista desde 2018, quando a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) estabeleceu procedimentos para análise caso a caso de produtos obtidos por Técnicas Inovadoras de Melhoramento de Precisão. O marco permite determinar se produtos desenvolvidos por essas técnicas devem ou não ser enquadrados nas regras aplicáveis aos organismos geneticamente modificados (OGMs), de acordo com as características da alteração genética realizada.
Na União Europeia, o processo regulatório avançou em 2026 com a adoção, pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho, de novas regras para plantas obtidas por determinadas técnicas genômicas. As normas entraram em vigor em julho, com aplicação geral prevista para julho de 2028. O novo marco estabelece tratamentos regulatórios distintos conforme o tipo de alteração genética realizada e tende a aumentar a previsibilidade para empresas que desenvolvem novas variedades ao criar uma estrutura específica para tecnologias que anteriormente estavam submetidas ao arcabouço europeu de organismos geneticamente modificados. A Bayer considera positiva a evolução dos marcos regulatórios para a edição genômica, especialmente pela possibilidade de ampliar a utilização comercial da tecnologia e oferecer maior segurança para os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
A companhia, contudo, não considera a edição genômica uma substituta da transgenia ou do melhoramento convencional. A estratégia é combinar as diferentes ferramentas de acordo com o atributo buscado em cada cultura, utilizando como base um programa robusto de germoplasma. As características transgênicas continuam relevantes principalmente para proteção contra insetos e tolerância a herbicidas, enquanto a edição genômica apresenta potencial para modificar atributos da própria planta, incluindo arquitetura, sistema radicular e resiliência a condições adversas. Dessa forma, as três abordagens devem atuar de maneira complementar dentro dos programas de melhoramento genético. A Bayer possui mais de 50 alvos de características em desenvolvimento envolvendo edição genômica e pretende incorporar progressivamente a ferramenta às etapas iniciais de seus programas de melhoramento.
A companhia prevê que sua primeira classe comercial de produtos resultantes dessa abordagem chegue ao mercado no início da próxima década. A evolução dos marcos regulatórios nos diferentes mercados tende a ser um dos principais fatores para determinar a velocidade de transição dessas tecnologias dos programas de pesquisa para aplicações comerciais no campo. A criação de regras específicas em Brasil, Estados Unidos, Argentina e Canadá, além do avanço do novo marco europeu, amplia o ambiente regulatório para o desenvolvimento e a adoção da edição genômica na agricultura. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.