31/Aug/2026
Segundo o Itaú BBA, a queda nos preços da maioria dos fertilizantes, combinada com a valorização de grãos, cereais, açúcar e boi gordo em agosto, melhorou a relação de troca para os produtores rurais e estimulou a comercialização de insumos. O cenário também indica possibilidade de aceleração das importações de fertilizantes nos próximos meses, especialmente para atender à demanda por nitrogenados destinada à 2ª safra de 2027 no Brasil. No segmento de nitrogenados, o preço da ureia caiu de US$ 482,50 por tonelada no início de agosto para US$ 422,00 por tonelada no fim do mês. O sulfato de amônio recuou de US$ 262,50 por tonelada para US$ 220,00 por tonelada no mesmo período.
Em julho, o Brasil importou 601 mil toneladas de ureia, maior volume mensal do ano. De janeiro a julho, as importações totalizaram 2,3 milhões de toneladas, queda de 24,7% ante igual período de 2025. Nos fertilizantes fosfatados, o MAP encerrou agosto cotado a US$ 855 por tonelada e o SSP a US$ 245 por tonelada, ambos na condição CFR Brasil. As importações brasileiras de enxofre somaram 29 mil toneladas em julho, menor volume em 36 meses, com preço médio de US$ 1.067,00 por tonelada FOB. O valor foi superior ao dobro do registrado em janeiro. O cloreto de potássio (KCl) manteve cotação próxima de US$ 385,00 por tonelada CFR Brasil em agosto.
Entre janeiro e julho, as importações brasileiras do produto cresceram 2,4% em relação ao mesmo período de 2025. A combinação entre preços dos fertilizantes e valorização das commodities teve impacto direto sobre o poder de compra dos produtores de grãos e da pecuária. No milho, a alta recente das cotações no mercado brasileiro, associada à queda do preço da ureia, melhorou parcialmente a relação de troca. O MAP, contudo, permanece em patamar elevado e continua como principal fator de limitação para uma recuperação mais consistente do poder de compra dos produtores. Na soja, a recuperação das cotações também melhorou a relação de troca com os fertilizantes.
Para março de 2027, entretanto, a soja continua negociada em níveis inferiores aos observados no mercado disponível, enquanto o MAP permanece entre os produtos que apresentam as relações de troca menos favoráveis ao produtor. Na pecuária, a valorização do boi gordo, combinada com a redução dos preços dos nitrogenados, manteve a relação de troca com o MAP próxima da média histórica dos últimos cinco anos. No setor sucroenergético e nas demais culturas, o ambiente também favoreceu a aquisição de fertilizantes. A menor produção no Centro-Sul e as cotas de importação da Índia sustentaram a valorização do açúcar.
Combinada à redução dos preços dos fertilizantes, a alta da commodity melhorou a relação de troca e estimulou as compras pelo setor. Entre os cereais, também há melhora do poder de compra. O trigo registrou valorização em meio aos conflitos no Mar Negro e à expectativa de redução da oferta mundial, enquanto o arroz subiu com a redução dos excedentes internos. No algodão, a alteração dos preços e da capacidade de troca esteve associada à redução dos estoques globais e ao ritmo acelerado das exportações brasileiras. No café, a relação de troca com os fertilizantes permanece entre as mais favoráveis ao produtor, apesar da perspectiva de uma safra recorde. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.