31/Aug/2026
A população brasileira deve se preparar para desligamentos mais prolongados da rede elétrica em 2026 em decorrência dos impactos do fenômeno climático El Niño, tanto em redes aéreas quanto subterrâneas. A expectativa é de que os efeitos do aquecimento das águas do Oceano Pacífico sobre o clima brasileiro ganhem maior intensidade a partir de outubro. A elevada exposição da infraestrutura elétrica aos eventos climáticos representa um dos principais desafios para o setor. Mais de 99% da rede elétrica brasileira é aérea, tornando-a especialmente vulnerável a ventos, enchentes, queimadas e outros eventos extremos. Mesmo as redes subterrâneas podem sofrer impactos, como ocorreu em Porto Alegre (RS), onde a infraestrutura foi afetada por alagamentos. Os efeitos do El Niño tendem a variar entre as regiões brasileiras. No Norte e no Nordeste, a seca pode reduzir a geração de energia e dificultar o transporte por barcaças, exigindo a formação de estoques de combustíveis para a geração térmica.
As queimadas também podem provocar desligamentos devido à fumaça. Nas Regiões Sul e Sudeste, os principais riscos estão associados a enchentes e ventos intensos. Eventos climáticos recentes, incluindo ventos severos não previstos no Paraná e no Rio de Janeiro, reforçam a necessidade de maior resiliência da infraestrutura. Nos últimos dez anos, o número de desastres climáticos registrados no Brasil mais do que dobrou. Os efeitos do El Niño poderão provocar impacto negativo equivalente a 12% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul até 2050. No Brasil, os eventos registrados no Rio Grande do Sul evidenciaram a dimensão dos riscos, com dois ciclones em 2023 e, em 2024, áreas que permaneceram submersas por até 31 dias. As distribuidoras de energia preveem investimentos de R$ 260 bilhões entre 2026 e 2030, dos quais 40% deverão ser destinados à modernização das redes.
A estratégia inclui ações tecnológicas para reduzir a vulnerabilidade da infraestrutura, embora eventos físicos extremos continuem representando limitações para a capacidade de resposta. A arborização urbana também constitui um fator relevante para o tempo de religamento das redes. Estudos da Abradee realizados após missões no Japão e nos Estados Unidos indicaram que cidades altamente arborizadas nesses países utilizam predominantemente árvores entre 3 e 5 metros de altura, enquanto no Brasil são comuns árvores com 25 a 30 metros. Árvores de grande porte, especialmente espécies exóticas, deveriam ser gradualmente substituídas por espécies menores após atingirem determinado tamanho, por razões de segurança. A queda simultânea de centenas de árvores durante eventos extremos pode causar danos expressivos à rede elétrica e ampliar significativamente o tempo necessário para o restabelecimento do fornecimento. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.