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28/Aug/2026

Fertilizantes: setor quer subsídio para comprar enxofre

A indústria brasileira de fertilizantes prepara uma proposta ao governo federal para a criação de uma subvenção temporária à compra de enxofre, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes fosfatados. O setor estima que uma ajuda emergencial entre R$ 900 milhões e R$ 2 bilhões poderia evitar perdas de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões para a economia brasileira, caso a redução na disponibilidade de adubos comprometa a produtividade agrícola na safra 2026/27. A proposta prevê uma ajuda por três meses para compensar parte da diferença entre o preço atual do enxofre e um patamar considerado economicamente viável pela indústria nacional. O preço da matéria-prima, próximo de US$ 80,00 por tonelada em 2024, chegou a US$ 1,2 mil por tonelada durante a crise agravada pelo conflito no Oriente Médio e recuou recentemente para cerca de US$ 800,00 por tonelada.

O enxofre é utilizado na produção de ácido sulfúrico, posteriormente empregado na fabricação de fertilizantes fosfatados. O consumo mensal da indústria brasileira é de aproximadamente 250 mil toneladas de enxofre e 60 mil toneladas de ácido sulfúrico. A proposta prevê uma subvenção equivalente a 50% do valor pago pelo importador acima de um determinado limite, com teto próximo de US$ 700,00 por tonelada. O segmento propõe que a medida seja implementada por meio de medida provisória. A subvenção corresponderia a 85% do valor excedente quando o preço do enxofre no Brasil, incluindo o frete, superar US$ 500,00 por tonelada e o do ácido sulfúrico ultrapassar US$ 152,00 por tonelada. O programa seria limitado à aquisição de 600 mil toneladas de enxofre e 150 mil toneladas de ácido sulfúrico, distribuídas em cotas de 200 mil toneladas e 50 mil toneladas, respectivamente.

A proposta foi inspirada em mecanismos de intervenção temporária adotados pelo governo em outros setores afetados pela crise internacional e prevê duração inicial de três meses, com possibilidade de prorrogação. O tema foi discutido com o Ministério da Agricultura. O governo solicitou que a indústria detalhasse os impactos econômicos da elevação dos preços do enxofre para apresentação em uma próxima reunião da sala de situação criada para acompanhar o abastecimento de fertilizantes. Considerando o preço máximo de US$ 1,2 mil por tonelada registrado neste ano, a proposta representaria um subsídio de aproximadamente R$ 2 bilhões. Entretanto, avaliações de mercado da segunda quinzena de agosto indicaram recuo do preço do enxofre, já incluindo o frete, para perto de US$ 800,00 por tonelada.

Caso esse patamar seja confirmado no índice utilizado em um eventual programa de apoio, o custo da subvenção cairia para cerca de R$ 900 milhões. A indústria estima que a medida poderia evitar perdas muito superiores ao custo do subsídio, diante do risco de redução da produtividade agrícola decorrente da menor utilização de fertilizantes fosfatados. A principal preocupação está no comportamento dos produtores rurais diante da elevação dos custos dos insumos e da restrição do crédito rural, cenário que tende a estimular a redução das doses de adubação. A Agroconsult projeta que a demanda brasileira por fertilizantes cairá 7,6% neste ano, para 45,3 milhões de toneladas. Para a Mosaic, as vendas de fertilizantes podem ficar entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas, com potencial de redução direta da produtividade entre 5% e 7%.

No cenário mais otimista considerado pela indústria, as vendas devem alcançar 45 milhões de toneladas de fertilizantes neste ano, volume aproximadamente 4 milhões de toneladas inferior às 49 milhões de toneladas registradas no ano passado. Documento elaborado pelo setor calcula que, caso uma redução de produtividade dessa magnitude se traduza em queda proporcional da produção e das exportações brasileiras de soja, as perdas em divisas poderiam atingir entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões em um único ciclo agrícola. Ainda não há uma nova reunião agendada sobre o tema com o governo federal. A urgência da decisão, contudo, aumenta com a aproximação do período de formação dos estoques de fertilizantes para a safra 2026/27. O ciclo entre a contratação do enxofre e a chegada do produto pode variar entre 60 e 90 dias, reduzindo a janela disponível para a adoção de medidas de apoio. O setor espera uma definição ainda em 2026, apesar do calendário eleitoral. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.