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27/Aug/2026

Fertilizantes: EUA quer reduzir dependência externa

A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, anunciou o início das obras do projeto Blue Point One, fábrica de amônia de baixo carbono da joint venture formada por CF Industries, com participação de 40%, JERA, com 35%, e Mitsui, com 25%. O empreendimento está localizado em Donaldsonville, no estado da Louisiana, envolve investimento de US$ 3,7 bilhões e, quando entrar em operação, terá capacidade nominal estimada em cerca de 1,4 milhão de toneladas de amônia por ano, o que a tornará a maior fábrica do mundo em capacidade nominal. O projeto é considerado pelo governo norte-americano uma iniciativa relevante para reduzir a dependência do país em relação às importações de fertilizantes. A capacidade projetada da unidade terá impacto potencial direto sobre a agricultura dos Estados Unidos. O volume de amônia produzido poderá servir de base para a fertilização de aproximadamente 2,71 milhões de hectares, de lavouras de milho no país.

Essa área corresponde a uma produção estimada em cerca de 30,48 milhões de toneladas de milho. O investimento ocorre em um cenário de forte pressão sobre os custos de produção agrícola nos Estados Unidos. Os preços dos fertilizantes acumulam alta superior a 150% desde 2020, elevando a relevância estratégica da expansão da produção doméstica de insumos. Esse movimento também contribuiu para o anúncio de investigações da Comissão Federal de Comércio (FTC) sobre a concentração no setor de fertilizantes. Apesar da expansão da produção interna, os Estados Unidos ainda apresentam dependência de importações provenientes do Golfo Pérsico. Atualmente, essas compras representam 12% do consumo doméstico de ureia e 17% do consumo de fertilizantes fosfatados DAP e MAP. A dependência externa aumenta a exposição do mercado norte-americano a gargalos logísticos e a eventuais restrições de navegação no Estreito de Ormuz.

O risco logístico associado ao Oriente Médio ganhou relevância para a segurança de abastecimento de fertilizantes, especialmente diante da importância das rotas marítimas para o comércio internacional de insumos. Nesse contexto, a ampliação da capacidade produtiva nos Estados Unidos contribui para reduzir a exposição do mercado doméstico a interrupções de oferta, custos de frete e restrições comerciais. Como parte da estratégia de estímulo à produção nacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vem apoiando a expansão da capacidade doméstica por meio do programa Fields, que destina US$ 500 milhões ao desenvolvimento da produção de fertilizantes no país. A política busca ampliar a oferta interna e reduzir a vulnerabilidade decorrente da concentração de fornecedores e da dependência de importações. O governo norte-americano também suspendeu temporariamente as tarifas compensatórias aplicadas aos fertilizantes fosfatados provenientes do Marrocos, medidas que haviam sido impostas no fim de 2020.

A combinação entre estímulo à produção doméstica, flexibilização temporária de medidas comerciais e investimentos de grande escala em novas unidades industriais indica uma estratégia de diversificação das fontes de abastecimento e de fortalecimento da segurança de oferta de fertilizantes nos Estados Unidos. A entrada futura do Blue Point One deverá ampliar a disponibilidade doméstica de amônia e reduzir parcialmente a necessidade de importações, ao mesmo tempo em que aumenta a capacidade dos Estados Unidos de atender à demanda de fertilizantes da agricultura nacional. O projeto também reforça a tendência de investimentos em produção de amônia de baixo carbono, segmento associado à redução da intensidade de emissões na fabricação de fertilizantes e à segurança estratégica das cadeias agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.