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26/Aug/2026

Fertilizantes: consumo no Brasil deve cair em 2026

Segundo estimativa da Agroconsult, o consumo de fertilizantes no Brasil deve recuar 7,6% em 2026, para cerca de 45,31 milhões de toneladas, ante 49,05 milhões de toneladas em 2025. A retração deve ocorrer em praticamente todos os nutrientes, com redução projetada de aproximadamente 300 mil toneladas em nitrogênio, 400 mil toneladas em fósforo (P2O5) e 800 mil toneladas em potássio (K2O). Por culturas, a soja permanece como principal demandante, mas o consumo deve diminuir de 20,7 milhões para 19,5 milhões de toneladas. No milho de 2ª safra, a estimativa é de queda de 7,9 milhões para 7,3 milhões de toneladas. Para a cana-de-açúcar, a projeção recua de 5,4 milhões para 4,9 milhões de toneladas, enquanto o trigo deve apresentar redução de 1,1 milhão para 700 mil toneladas. No algodão, a retração projetada é menor, de 2,8 milhões para 2,7 milhões de toneladas. Para o café, a estimativa é de manutenção do consumo em 2,7 milhões de toneladas.

A redução da demanda também deve alterar a sazonalidade das entregas de fertilizantes ao longo do ano. Entre janeiro e abril, o mercado recebeu 12,3 milhões de toneladas em 2026, volume 90 mil toneladas superior ao registrado no mesmo período de 2025. Entre maio e setembro, porém, a Agroconsult projeta entregas de 19,6 milhões de toneladas, ante 23,9 milhões de toneladas no ano passado, diferença de 4,3 milhões de toneladas. No último trimestre do ano, a estimativa é de 13,3 milhões de toneladas, 450 mil toneladas acima das 12,8 milhões de toneladas registradas entre outubro e dezembro de 2025. O comportamento indica concentração de uma parcela maior das entregas no início e no fim do ano, enquanto o período intermediário apresenta retração mais acentuada. A redução das doses de fósforo observada nas últimas safras contribuiu para preservar a rentabilidade dos produtores, mas começa a gerar necessidade de reposição de nutrientes.

A forte extração registrada nas duas últimas safras, combinada à redução das doses aplicadas, cria um cenário potencialmente mais favorável para a demanda por fertilizantes em 2027. Pelo lado da oferta, a Agroconsult projeta retração tanto das importações quanto da produção nacional. As compras brasileiras de fertilizantes nitrogenados provenientes da China devem cair de 7,7 milhões de toneladas em 2025 para 5,9 milhões de toneladas em 2026. Nos fertilizantes fosfatados e nos produtos à base de potássio, também são esperadas quedas significativas. A disponibilidade de fertilizantes chineses até o fim do ano representa uma das principais incertezas para o mercado brasileiro. A estimativa é de que ainda possam chegar cerca de 2,5 milhões de toneladas de fertilizantes da China até dezembro. Caso esse volume não se confirme, o consumo brasileiro poderá ficar abaixo dos 45 milhões de toneladas. Para a Agrinvest Commodities, o aperto no crédito pode levar o mercado brasileiro de fertilizantes em 2026 para abaixo de 45 milhões de toneladas.

A principal incerteza está na parcela ainda não comercializada da soja brasileira, cuja aquisição de fertilizantes depende, em grande medida, de financiamento. A Agrinvest estima que cerca de 15% do mercado de fertilizantes destinado à soja ainda precisa ser comercializado. Entretanto, as dificuldades de acesso ao crédito colocam em dúvida se esse volume será efetivamente negociado, com possibilidade de redução dessa parcela para 10% ou até 5%. O produtor que ainda precisa adquirir fertilizantes é, em grande parte, aquele que não dispõe de recursos próprios e depende de financiamento para concluir as compras. A avaliação sobre o mercado mudou em relação ao primeiro semestre, quando havia uma perspectiva mais favorável. O ambiente de crédito passou a ser um fator determinante para a concretização das compras, mesmo diante de relações de troca e preços de commodities que, em alguns casos, permanecem considerados favoráveis.

A situação financeira dos produtores também apresenta diferenças em relação às cotações atuais da soja. Em Mato Grosso, cerca de 95% da produção já estaria comercializada, enquanto o preço médio recebido pelos produtores estaria em aproximadamente R$ 111,00 por saca de 60 Kg, abaixo das cotações atuais. No porto, a soja disponível estaria sendo negociada a cerca de R$ 155,00 por saca de 60 Kg, mas esse patamar não beneficia integralmente os produtores que já venderam sua produção. Nesse cenário, produtores mais capitalizados podem manter a soja armazenada para buscar preços mais elevados, enquanto aqueles que dependem de recursos para financiar as atividades têm menor capacidade de aproveitar eventuais altas da commodity. Essa diferença de capacidade financeira influencia diretamente a demanda por fertilizantes. Entre os nutrientes, o fósforo tende a ser o mais afetado pela menor capacidade de compra.

A Agrinvest estima potencial de redução de 20% a 25% no uso do nutriente, refletindo a necessidade dos produtores de ajustar despesas diante das restrições financeiras. A avaliação sobre o potássio também foi revisada. Inicialmente, havia expectativa de manutenção do ritmo de comercialização, sustentada por uma relação de troca considerada adequada e por preços nominais favoráveis. A ausência de reação esperada nas compras, porém, levou a Agrinvest a reavaliar esse cenário e a questionar o ritmo de comercialização que ainda poderá ocorrer até o fim do ano. O mercado de nitrogênio também enfrenta dificuldades, especialmente em produtos como o nitrato, cuja aquisição depende do acesso a financiamento. Dessa forma, a evolução do consumo de fertilizantes em 2026 deverá depender menos exclusivamente das cotações das commodities e das relações de troca e mais da capacidade financeira dos produtores de efetivar as compras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.