26/Aug/2026
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil precisará de pelo menos 15 milhões de toneladas adicionais de fertilizantes nos próximos dez anos para viabilizar a conversão de áreas degradadas em áreas produtivas. A expansão da produção agropecuária sobre áreas já abertas deverá ser uma das principais frentes de crescimento do setor nos próximos anos. Na perspectiva de dez anos, a conversão de 10 milhões de hectares de terras degradadas para a produção de grãos, fibras, energia, frutas e carne demandará, pelo menos, 15 milhões de toneladas adicionais de fertilizantes. O Mapa colocou em prática, em 2023, o Plano Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (Planaveg), iniciativa que vem ampliando a área recuperada. O avanço desse processo deverá elevar a necessidade de insumos e reforçar o desafio de ampliar a oferta de fertilizantes no mercado brasileiro.
A redução da dependência externa também integra a estratégia do governo para aumentar a segurança de abastecimento. O Mapa atua em conjunto com outros ministérios e entidades do setor em medidas destinadas a reduzir os déficits de ureia e equilibrar a oferta de potássio, além de enfrentar restrições relacionadas ao fósforo, enxofre e outros insumos. Nesse contexto, o governo desenvolve uma estratégia de diplomacia de fertilizantes em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e representações econômicas brasileiras no exterior. O objetivo é diversificar fornecedores e reduzir a vulnerabilidade do Brasil diante da concentração das importações em determinados mercados. A estratégia considera especialmente a necessidade de ampliar as alternativas de fornecimento de potássio, além de reduzir a dependência externa de gás natural, ureia e fontes de fósforo.
O governo também vem adotando medidas para aumentar a previsibilidade da chegada dos fertilizantes aos produtores. Neste mês, a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) aprovou uma resolução que estabelece tratamento prioritário para a movimentação de fertilizantes nos portos brasileiros. A medida deve contribuir para reduzir filas, custos de armazenagem, despesas logísticas e demurrage, além de proporcionar maior previsibilidade às operações durante a safra. No campo financeiro, estão disponíveis R$ 15,5 bilhões aos produtores em uma linha relacionada ao setor de fertilizantes, além de iniciativas voltadas à renegociação das dívidas dos produtores rurais. Os instrumentos de crédito integram o conjunto de medidas para apoiar o setor diante dos desafios de custos, abastecimento e financiamento.
A dimensão da produção agropecuária brasileira reforça a importância estratégica da oferta de fertilizantes. Na última safra, o País retirou do solo mais de 1,2 bilhão de toneladas de produtos alimentares, incluindo cerca de 600 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 354 milhões de toneladas de grãos e mais de 45 milhões de toneladas de frutas, além de mais de 25 milhões de toneladas de carnes. O aumento da produtividade e a recuperação de áreas degradadas são considerados fundamentais para que o Brasil amplie sua contribuição para a segurança alimentar e energética e avance também na agenda de segurança ambiental. A agricultura global permanece particularmente exposta a diferentes tipos de crises, enquanto o Brasil apresenta capacidade de produtividade e produção em escala para contribuir para os três principais desafios estratégicos relacionados à alimentação, energia e meio ambiente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.