26/Aug/2026
O programa Brasil Soberano 3 terá R$ 4 bilhões destinados especificamente ao financiamento de empresas do setor de fertilizantes, dentro dos R$ 18,5 bilhões previstos para companhias afetadas pela perda de mercados decorrente da guerra comercial. O anúncio foi feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin nesta terça-feira (25/08). O Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá aprovar o programa nesta quarta-feira (26/08), permitindo que as empresas interessadas tenham acesso às linhas de financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As operações terão taxas entre 6,53% e 9,5% para investimentos e capital de giro. Do total de R$ 18,5 bilhões previstos no Brasil Soberano 3, R$ 4 bilhões serão direcionados exclusivamente às empresas de fertilizantes. Outra medida destacada foi o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que deverá ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias.
O programa prevê financiamento e estabelece um percentual mínimo de utilização de fertilizantes nacionais, que começará em 2% em 2027 e avançará gradualmente até atingir 10% em 2037. As iniciativas têm como objetivo reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados. A estratégia considera que a dependência externa continuará existindo, mas busca ampliar a participação da produção nacional no abastecimento do mercado brasileiro. Também foi destacada a suspensão do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), com previsão de crédito tributário de R$ 1 bilhão por ano até 2031. A medida deverá contribuir para a redução dos custos das empresas do setor de fertilizantes. Na produção de nitrogenados, o governo prevê avanços com investimentos em unidades industriais. A fábrica da Petrobras em Três Lagoas (MS) deverá ser concluída entre um ano e um ano e meio e poderá responder por cerca de 35% do abastecimento nacional.
Também estão previstas a retomada de fábricas em Camaçari (BA), Araucária (PR) e Laranjeiras (SE). A expansão da produção nacional de nitrogenados depende, entretanto, do aumento da oferta de gás natural, principal matéria-prima utilizada na fabricação de amônia e ureia. O governo trabalha para ampliar a disponibilidade do insumo e viabilizar maior produção doméstica. No segmento de potássio, a questão jurídica e ambiental relacionada ao projeto de exploração em Autazes (AM) está praticamente resolvida, segundo Alckmin. O governo também busca diversificar os fornecedores internacionais de fósforo, enxofre e ácido sulfúrico. Cerca de 40 embaixadas brasileiras participam da busca por alternativas de fornecimento de fertilizantes, com o objetivo de ampliar a segurança de abastecimento do mercado nacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.