26/Aug/2026
A Tunísia busca reforçar o fornecimento de fertilizantes ao agronegócio brasileiro e atrair investimentos do País para projetos de fosfato e energia. A estratégia foi apresentada pelo CEO da Companhia de Fosfato de Gafsa (CPG), Omar Bouzouada, durante o primeiro painel do 5º Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), em São Paulo. Segundo o executivo, parcerias estratégicas com empresas brasileiras poderiam garantir prioridade no fornecimento de insumos aos produtores do Brasil diante da volatilidade logística e da elevação dos preços internacionais do fosfato monoamônico (MAP).
As cotações do MAP, que anteriormente oscilavam entre US$ 350,00 e US$ 400,00 por tonelada, chegaram a patamares de até US$ 900,00 por tonelada, impulsionadas pelo aumento dos custos das matérias-primas no Golfo Pérsico e por sucessivos gargalos geopolíticos nos últimos cinco anos. Entre os fatores citados estão os impactos da pandemia de Covid-19 no Mar Negro, os conflitos no Mar Vermelho e as recentes tensões no Estreito de Ormuz. Os problemas logísticos no Canal de Suez também levaram navios a contornar o Cabo da Boa Esperança, elevando os custos de frete e seguro marítimo.
Nesse cenário, o fornecimento de fertilizantes a partir do Norte da África apresenta vantagem logística para o mercado brasileiro em razão da proximidade geográfica. A Tunísia possui a quarta maior reserva mundial de rocha fosfática, estimada em 2,4 bilhões de toneladas, atrás de Marrocos, China e Egito. A estatal CPG conduz um plano de investimentos para ampliar a capacidade nacional de produção para 9 milhões de toneladas de fosfato até 2035. A companhia realiza a extração no interior do país e o processamento em unidades industriais localizadas na costa sul da Tunísia.
O Brasil é atualmente o maior importador mundial de MAP, com demanda de aproximadamente 6 milhões de toneladas por ano. As compras brasileiras estão concentradas em fornecedores da Rússia, Arábia Saudita e Egito. A entrada da Tunísia como fornecedora consolidada poderia contribuir para diversificar as fontes de abastecimento e reduzir a concentração das importações brasileiras. A CPG também busca ampliar a aproximação com empresas brasileiras. Companhias do País, entre elas a Vale, já realizaram visitas técnicas à Tunísia para avaliar a qualidade da rocha fosfática local, o que abre possibilidade de novas parcerias comerciais e de investimentos no setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.