26/Aug/2026
As guerras entre Rússia e Ucrânia e no Oriente Médio, combinadas com problemas climáticos e restrições logísticas, ampliam os riscos para as cadeias globais de alimentos, energia e fertilizantes. O cenário é particularmente relevante para o Brasil e os países árabes, que mantêm importantes fluxos comerciais envolvendo fertilizantes, petróleo e produtos agropecuários. O Brasil importa fertilizantes de países árabes e utiliza esses insumos na produção agrícola, enquanto parcela relevante da produção agropecuária brasileira é posteriormente exportada para esses mercados. Dessa forma, interrupções ou encarecimento das rotas marítimas podem afetar simultaneamente os custos dos insumos, a produção agrícola e o comércio internacional de alimentos.
As dificuldades de navegação no Estreito de Ormuz representam um dos principais pontos de atenção, mas os riscos para o comércio global não estão restritos ao Oriente Médio. O Mar Negro também enfrenta restrições decorrentes da guerra entre Rússia e Ucrânia, afetando fluxos relevantes de commodities agrícolas e fertilizantes. Rússia e Ucrânia respondem por cerca de 27% da capacidade global de exportação de milho e trigo, produtos considerados essenciais para o abastecimento internacional. A Rússia também é um importante exportador de ureia, fertilizante amplamente utilizado pelo agronegócio brasileiro. A combinação de conflitos militares e restrições logísticas aumenta, portanto, o risco de disrupções nas cadeias globais de valor. A questão energética representa outro fator de pressão para o setor agrícola. A agricultura demanda volumes elevados de combustíveis, principalmente para o transporte, e o diesel assume papel central na formação dos custos de produção e logística.
Nesse contexto, o principal ponto de atenção não é apenas a cotação do petróleo, mas a disponibilidade e o preço do diesel. O Brasil possui capacidade de refino limitada e depende de importações de diesel provenientes da Rússia e de países árabes. O combustível chegou a cerca de US$ 100,00 por barril, ante US$ 20,00 a US$ 25,00 por barril antes da guerra, movimento que pode elevar significativamente os custos dos produtores rurais e ampliar a pressão sobre as cadeias de alimentos. O cenário reforça a necessidade de monitoramento dos fluxos marítimos, da disponibilidade de fertilizantes e combustíveis e das condições de transporte nas principais rotas internacionais, diante da possibilidade de novos choques sobre custos, abastecimento e preços agrícolas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.