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25/Aug/2026

Fertilizantes: atraso na importação brasileira de ureia

Segundo o Rabobank, o atraso nas importações brasileiras de ureia em 2026 pode reduzir a disponibilidade do fertilizante para 2ª safra de milho de 2027 e afetar também culturas como cana-de-açúcar, café e laranja. Entre janeiro e julho, as compras externas de ureia ficaram cerca de 20% abaixo do mesmo período de 2025 e registraram o segundo menor volume para o intervalo desde 2016. Mesmo que o Brasil importe entre agosto e dezembro o maior volume mensal já registrado em cada período, as compras externas de ureia ainda encerrariam 2026 cerca de 5% abaixo das 7,7 milhões de toneladas importadas em 2025. O cenário aumenta o risco de menor disponibilidade do insumo para 2ª safra de milho de 2027 e para outras culturas, como cana-de-açúcar, laranja e café. As importações de fertilizantes fosfatados também apresentam atraso. Considerando o volume de pentóxido de fósforo (P2O5), métrica utilizada para comparar o teor nutritivo dos produtos, as compras externas estão cerca de 9% abaixo de 2025.

O movimento exige atenção diante do início das safras de verão (1ª safra 2026/27), especialmente da soja, a partir de setembro. Os preços dos fertilizantes, por outro lado, começaram a recuar na transição de julho para agosto. A ureia caiu quase 15% na primeira quinzena do mês, para perto de US$ 415,00 por tonelada no porto, enquanto o sulfato de amônio recuou quase 17%. O fosfato monoamônico (MAP) e o superfosfato simples também registraram novas quedas, acompanhando a menor demanda. Apesar do recuo recente, o mercado de fósforo permanece apertado. O enxofre continua pressionando os custos de produção dos fertilizantes fosfatados, enquanto a ausência da China nas exportações internacionais limita a oferta. A combinação de custos elevados de produção e restrição da oferta mantém as cotações em patamares altos.

No mercado doméstico, as entregas de fertilizantes ao consumidor final somaram 15,47 milhões de toneladas entre janeiro e maio, queda de 2,2% ante o mesmo período de 2025, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda). Apenas em maio, foram entregues cerca de 3,16 milhões de toneladas. Em 2025, o Brasil registrou recorde de 49 milhões de toneladas entregues. O Rabobank projeta queda das entregas totais de fertilizantes em 2026, para 45,1 milhões de toneladas. Os próximos dados devem refletir com maior intensidade a alta dos preços registrada após o início do conflito no Oriente Médio, justamente durante o período de compras para soja e demais culturas de verão. Além dos preços, a perda de poder de compra e a restrição de crédito permanecem entre os fatores que limitam a demanda por fertilizantes. Embora o poder de compra dos produtores tenha apresentado alguma recuperação em relação ao pior momento observado após o início do conflito no Oriente Médio, ainda permanece em terreno negativo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.