24/Aug/2026
Segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), o adiamento da concessão de hidrovias da Região Norte pode acrescentar mais de 20 mil caminhões por ano ao tráfego de cargas nas rodovias nacionais em um cenário extremo. A ausência de dragagem de manutenção pode reduzir a capacidade de transporte hidroviário e transferir parte da carga para o modal rodoviário. Discussões específicas relacionadas a questões ambientais e sociais, embora relevantes, têm dificultado a implementação de projetos estruturantes de infraestrutura. É necessário integrar rodovias, hidrovias, ferrovias e dutos em uma estratégia de desenvolvimento logístico, evitando que decisões pontuais comprometam projetos de maior alcance. Em um cenário extremo, a falta de dragagem de manutenção poderia direcionar cerca de 22 mil caminhões por ano para rodovias que já apresentam limitações de capacidade.
O impacto potencial decorre da transferência de cargas atualmente movimentadas pelas hidrovias para o transporte rodoviário. A ausência de concessão das vias navegáveis também representa risco para o transporte de cargas pelo Rio Tapajós. A hidrovia movimenta anualmente 1,36 milhão de metros cúbicos de combustíveis destinados a 17 municípios dos estados do Pará e Mato Grosso, abrangendo cerca de 7,5 milhões de habitantes. A importância da hidrovia ultrapassa o transporte de grãos e inclui combustíveis, alimentos, medicamentos e outros insumos essenciais ao abastecimento regional. O modal hidroviário também apresenta menor emissão de carbono em comparação com o transporte rodoviário em longas distâncias. A redução da navegabilidade do Rio Tapajós pode elevar os custos de distribuição de combustíveis e aumentar a pressão sobre portos e rodovias já congestionados nas Regiões Sul e Sudeste.
A perspectiva de novos eventos climáticos extremos e períodos de seca reforça a necessidade de investimentos em dragagem e manutenção das hidrovias, com o objetivo de ampliar a previsibilidade logística e a segurança do abastecimento. A hidrovia também é considerada estratégica para a logística de biocombustíveis na Região Norte. Os fluxos no Tapajós incluem derivados de petróleo e biocombustíveis destinados a bases de distribuição onde são realizadas as misturas obrigatórias. A interrupção ou restrição da navegação tende a elevar os custos de transporte desses produtos e pode afetar o abastecimento de mercados como Manaus (AM), Macapá (AP), Itacoatiara (AM) e Santarém (PA), além de municípios do sudoeste do Pará e do norte de Mato Grosso. O impacto potencial envolve tanto os combustíveis de origem fóssil quanto os biocombustíveis utilizados na composição das misturas obrigatórias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.