21/Aug/2026
A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) projeta a mobilização de R$ 216 bilhões em investimentos privados até 2035 e a geração de R$ 57 bilhões por ano em receitas adicionais para o setor, caso seja implementado um conjunto de medidas para ampliar a produção e o uso de biogás e biometano no Brasil. A agenda também prevê a criação de mais de 251 mil empregos diretos. Entre as medidas consideradas prioritárias está a criação de uma instância nacional de governança para articular os diferentes segmentos da cadeia de biogás e biometano. A ABiogás também defende o avanço do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB) e a adoção de tratamento adequado para o biometano no processo de implementação da Reforma Tributária. O estudo estima ainda potencial para substituir R$ 42 bilhões anuais em importações e evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO2 equivalente por ano.
Esse volume corresponde a aproximadamente 10% das atuais emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil. No setor de transporte, as propostas incluem a criação de corredores logísticos e de mecanismos para viabilizar, até 2035, a incorporação de mais de 40 mil caminhões movidos a biometano, além da expansão do uso do combustível em frotas urbanas. Na agricultura, a agenda prevê estímulos à produção e ao uso de biofertilizantes, com potencial para reduzir a dependência brasileira de insumos importados. Na área de combustíveis avançados, o plano contempla o desenvolvimento de combustíveis produzidos a partir de CO2 biogênico. A ABiogás avalia que a elevada dependência brasileira de determinados combustíveis e insumos importados aumenta a exposição do País a choques externos de oferta e preços.
O potencial estimado de produção de biometano chega a 120 milhões de m³ por dia, enquanto o aproveitamento atual representa menos de 2% desse volume. A agenda regulatória do setor envolve a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, criou o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) ficou responsável pela definição da meta anual de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no mercado de gás natural comercializado, autoproduzido ou autoimportado por produtores e importadores de gás natural. O cumprimento da meta deverá ocorrer por meio da participação do biometano no consumo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.