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18/Aug/2026

Fertilizantes: estoques de enxofre duram até outubro

Segundo o Sindicato das Indústrias de Matérias-Primas para Fertilizantes (Siprifert), que representa cerca de 90% da cadeia produtiva no País, incluindo Mosaic, Yara, Galvani, EuroChem e Petrobras, os estoques de enxofre mantidos pela indústria brasileira devem se esgotar em outubro, em um cenário de forte alta dos preços internacionais da matéria-prima utilizada na produção de ácido sulfúrico, insumo empregado em fertilizantes, na indústria química e no refino de minerais. O Brasil apresenta elevada dependência das importações de enxofre. A produção doméstica é estimada em aproximadamente 200 mil toneladas, volume inferior a 10% da demanda nacional.

Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), as importações brasileiras de enxofre recuaram 42% em volume no primeiro semestre de 2026 ante igual período de 2025, para 710 milhões de toneladas. Em valor, porém, as compras externas aumentaram 60%, para US$ 380 milhões. A escassez do produto vem sendo construída nos últimos anos e está associada à redução da produção da Rússia, em razão da destruição de parques industriais decorrente da guerra com a Ucrânia, e ao aumento da demanda da Indonésia, que passou a realizar internamente o refino de sua produção de níquel. O processamento de níquel demanda ácido sulfúrico, cuja produção utiliza enxofre.

A ruptura de cadeias de fornecimento e a redução da oferta global provocaram forte valorização da matéria-prima. Em dezembro de 2024, a tonelada de enxofre era negociada a US$ 100,00 enquanto atualmente alcança US$ 1.200,00. A elevação dos custos pode comprometer a viabilidade econômica das indústrias que utilizam o insumo. Diante da restrição de oferta, grandes produtores de enxofre, como Rússia, Turquia, Cazaquistão e China, restringiram ou suspenderam as exportações do minério ou de ácido sulfúrico, com o objetivo de preservar o produto para suas próprias indústrias e atividades agrícolas.

No Brasil, as iniciativas para reduzir a dependência externa estão concentradas no Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), que atende atualmente cerca de 85% do consumo nacional. O programa foi aprovado pelo Congresso Nacional e aguarda sanção presidencial. O texto aprovado pelo Senado prevê, em um período de cinco anos, até R$ 10 bilhões em subsídios destinados à instalação de novas fábricas de fertilizantes ou à expansão e modernização das unidades existentes. A medida busca estimular a produção doméstica de fertilizantes e reduzir a exposição do País às oscilações da oferta e dos preços internacionais de matérias-primas estratégicas, como o enxofre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.