ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Aug/2026

Fertilizantes: preços devem seguir elevados até 2028

Segundo relatório do centro de pesquisas Knowledge Exchange, o mercado global de fertilizantes tende a enfrentar um período mais prolongado de preços elevados, diferentemente do choque temporário observado em 2022, com os valores podendo permanecer estruturalmente pressionados até pelo menos 2028. São considerados os efeitos dos conflitos no Oriente Médio e as restrições à navegação no Estreito de Ormuz sobre a capacidade produtiva e o abastecimento internacional de insumos. A crise comprometeu a produção de matérias-primas essenciais, como amônia e enxofre, ampliando a restrição de oferta e criando dificuldades para distribuidores e produtores rurais. Dados da Universidade Estadual da Dakota do Norte (NDSU) citados no estudo indicam que 31 fábricas de amônia no Oriente Médio foram diretamente atingidas ou paralisadas pelos conflitos.

A escassez de matérias-primas também provocou o fechamento ou a redução das operações de 49 unidades na Índia, no Paquistão e em Bangladesh, enquanto pelo menos 20 instalações na Rússia sofreram danos em decorrência de ataques de drones ucranianos. A região do Golfo Pérsico possui papel estratégico no mercado global de fertilizantes, com fornecimento superior a 60 milhões de toneladas de adubos e insumos ao mercado internacional. A região concentra 50% das exportações globais de enxofre e mais de 30% dos embarques mundiais de ureia, o que amplia o impacto de eventuais restrições ao fluxo de cargas pelo Estreito de Ormuz. Para 2027, as projeções atualizadas da NDSU indicam preços médios de US$ 496,00 por tonelada para a ureia, US$ 666,00 por tonelada para o fosfato diamônio (DAP), US$ 660,00 por tonelada para o fosfato monoamônio (MAP), US$ 619,00 por tonelada para a amônia anidra e US$ 361,00 por tonelada para o UAN.

Embora as estimativas estejam abaixo dos picos registrados após o fechamento do Estreito de Ormuz, permanecem acima dos níveis anteriores ao conflito. Nos Estados Unidos, a dependência de importações provenientes do Golfo Pérsico amplia a exposição do mercado aos gargalos internacionais. As importações da região representam 12% da demanda doméstica norte-americana de ureia e 17% do consumo de DAP e MAP. O aumento dos custos dos fertilizantes vem provocando ajustes no manejo nutricional das lavouras. O levantamento indica que os produtores têm preservado a aplicação de nitrogênio para evitar perdas imediatas de produtividade, enquanto as doses de fertilizantes fosfatados e potássicos foram reduzidas entre 10% e 15% nos últimos anos. Desde 2008, a redução acumulada na aplicação da fórmula NPK chega a 20%. A oferta global de fosfatados também permanece pressionada pelas restrições impostas pela China, maior produtora mundial.

A China manteve o veto às exportações do insumo até agosto e poderá prolongar a medida diante dos custos elevados do enxofre, matéria-prima relevante para a fabricação de fertilizantes fosfatados. Nos Estados Unidos, o governo Donald Trump adotou em junho uma medida para suspender por oito meses as tarifas compensatórias incidentes sobre as importações de fertilizantes fosfatados provenientes do Marrocos. A iniciativa busca reduzir a pressão sobre o setor produtivo, mas não elimina os riscos associados ao mercado internacional de insumos. Para os distribuidores norte-americanos, o risco financeiro permanece elevado. O adiamento das compras pelos agricultores pode obrigar as revendas a manter estoques adquiridos a preços elevados em um ambiente de juros entre 6% e 8% ao ano, aumentando o custo de carregamento dos produtos e pressionando a gestão de capital de giro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.