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17/Aug/2026

Insumos: resultado da 3tentos no 2º trimestre/26

A 3tentos encerrou o segundo trimestre de 2026 com forte queda da rentabilidade, pressionada principalmente pelo negócio de processamento industrial de soja e milho. O lucro líquido ajustado recuou 86,3% na comparação anual, para R$ 14,4 milhões, e o Ebitda ajustado com hedge caiu 64,3%, para R$ 78,7 milhões. A receita operacional líquida, por outro lado, cresceu 31,9%, para R$ 4,70 bilhões. A companhia opera em três frentes: venda de insumos agrícolas ao produtor, comercialização de grãos e processamento industrial, que inclui esmagamento de soja, biodiesel e, agora, etanol de milho. A margem Ebitda ajustada com hedge caiu para 1,7%, de 6,2% um ano antes, enquanto a margem líquida ajustada recuou para 0,3%, ante 2,9%. Segundo o CEO da companhia, João Marcelo Dumoncel, a indústria concentrou a maior parte da pressão sobre o resultado. "O que foi o principal ofensor do resultado do segundo tri é basicamente a rentabilidade do segmento da indústria", afirmou.

A receita das operações industriais cresceu 4,7%, para R$ 2,01 bilhões, mas o negócio foi afetado por preços menores do farelo de soja e do biodiesel e por atrasos em projetos que deveriam ampliar o processamento. O preço do farelo caiu 12% e o do biodiesel, 3%, ante o segundo trimestre de 2025. A planta de etanol de milho no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, começou a operar apenas nos últimos dias de junho. As ampliações das unidades de esmagamento de soja e biodiesel também entraram em funcionamento mais tarde do que a empresa previa. Dumoncel disse que parte dos custos dessas expansões já pesava no resultado antes de as novas capacidades começarem a gerar receita em nível mais relevante. "Nós já estávamos gastando muito, a estrutura estava toda montada, e o operacional, a receita, o resultado, acabou não vindo porque teve esse atraso", afirmou. A manutenção da mistura obrigatória de biodiesel em 15%, em vez da esperada elevação para 16%, também pesou.

Segundo o CEO, o setor havia ampliado a capacidade à espera de maior demanda pelo biocombustível, que não se concretizou. Fora da indústria, a receita de Insumos cresceu 24,6%, para R$ 487,3 milhões, e a comercialização de Grãos avançou 76%, para R$ 2,20 bilhões. O forte crescimento de Grãos, porém, também está ligado aos atrasos industriais. Como a 3tentos processou menos soja e milho do que previa, vendeu diretamente uma parcela maior dos volumes já comprados dos produtores, em vez de transformá-los em farelo, óleo e biodiesel. Essas vendas de grãos passaram a representar quase 47% da receita do trimestre, ante cerca de 30% normalmente. Como a simples comercialização de grãos tem margem menor do que o processamento industrial e a venda de insumos, a mudança no perfil do faturamento reduziu a margem média da companhia. "Não é que a margem do grão em si está pior do que seria uma expectativa. É que a participação do grão no total da receita foi maior do que seria o normal da companhia, o que é transitório também", disse Dumoncel.

No primeiro semestre, os números ficaram positivos na comparação anual. A receita cresceu 26,1%, para R$ 8,91 bilhões, o Ebitda ajustado com hedge avançou 12,8%, para R$ 472,9 milhões, e o lucro líquido ajustado aumentou 14,5%, para R$ 245,3 milhões. A companhia considera o semestre uma fotografia mais representativa por causa da sazonalidade do agronegócio. "Muitas vezes a foto do trimestre acaba sendo distorcida por um atraso de colheita, um atraso de plantio, um deslocamento de receita mínimo que seja", afirmou Dumoncel. A usina de etanol de milho da 3tentos em Porto Alegre do Norte (MT), no Vale do Araguaia, atingiu 100% da capacidade nominal em agosto e deve contribuir integralmente para o resultado da companhia a partir do quarto trimestre, afirmou ao Broadcast Agro o CEO João Marcelo Dumoncel. A planta tem capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho e sorgo por dia, produzindo cerca de 2,5 milhões de litros de etanol diários, além de DDGS (farelo de milho usado como ração animal) e óleo de milho.

A unidade recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em maio e começou a produzir apenas nos últimos dias de junho, mais tarde do que a companhia previa. Com isso, praticamente não teve impacto sobre a receita e a rentabilidade do segundo trimestre. No período de julho a setembro, o efeito ainda será parcial porque a produção foi elevada gradualmente durante julho e parte de agosto. "Nós vamos ver a contribuição cheia dela no quarto trimestre", afirmou Dumoncel. O atraso no início da usina foi um dos fatores que pressionaram o resultado industrial no segundo trimestre. A empresa já havia montado a estrutura da operação e incorrido em despesas, mas ainda sem receber a contribuição esperada de produção e faturamento. A 3tentos mantém o projeto de uma segunda usina de etanol de milho, em Redenção (PA), viabilizado pela aquisição da Grão Pará Bioenergia, empresa que já detinha na região um terreno licenciado para a construção da planta.

O investimento previsto é de R$ 1,15 bilhão, com conclusão prevista para o segundo semestre de 2028 e capacidade projetada para processar 2,1 mil toneladas de milho por dia. Dumoncel afirmou que a companhia acompanha o nível dos juros e as condições de mercado, mas não há atualmente revisão a ser anunciada sobre o valor ou o cronograma do projeto. "Eventualmente pode haver algum ajuste, mas hoje não tem nada ainda para ser comunicado", disse. A expansão da companhia também continua na rede de lojas de insumos agrícolas. A 3tentos abriu seis unidades no segundo trimestre, em Goiás, Pará, Tocantins e Minas Gerais, além de duas no primeiro trimestre, e encerrou junho com 81 lojas em seis Estados. Outras unidades estão em fase de implantação e devem ser abertas nos próximos trimestres, segundo Dumoncel. A receita com a venda de insumos cresceu 24,6% no segundo trimestre, para R$ 487,3 milhões. "A gente está tendo uma receptividade de mercado muito boa. O nosso segmento de insumos está entregando crescimento, está entregando resultado", afirmou.

O avanço das lojas, porém, ocorre com maior seletividade no financiamento aos produtores. Dumoncel disse que a inadimplência permanece nos níveis históricos da companhia, mas que o cenário financeiro no campo exige cautela. "A expansão está acontecendo, a gente está otimista, está vigorosa, mas com os dois pés no chão", disse. A 3tentos comunicou na quinta-feira (13/08), em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que seu Conselho de Administração aprovou um programa de recompra de ações ordinárias da companhia. Poderão ser adquiridas até 5 milhões de ações, o equivalente a aproximadamente 1% do total de ações da companhia e a 4,43% das ações atualmente em circulação no mercado. Segundo o documento, o programa tem dois objetivos: manter ações em tesouraria e dar suporte aos programas de incentivo de longo prazo destinados a executivos da companhia (stock options). Na data de aprovação, a 3tentos tinha 112.950.686 ações ordinárias em circulação e 117.200 ações em tesouraria.

O prazo para a realização das compras é de até 18 meses, com início nesta quinta-feira e encerramento previsto para 13 de fevereiro de 2028. As aquisições serão custeadas por saldos de reservas de lucro e de capital disponíveis da companhia. A 3tentos revisou suas projeções operacionais para 2026 após processar menos soja e milho e comercializar menos trigo do que previa no primeiro semestre. A companhia passou a projetar para o ano o processamento de 3,091 milhões de toneladas de soja e 500 mil toneladas de milho, além da originação total de 6,53 milhões de toneladas de grãos. As novas estimativas foram divulgadas em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo o documento, a 3tentos espera originar 4,8 milhões de toneladas de soja, 1,3 milhão de toneladas de milho e sorgo, 250 mil toneladas de trigo e 180 mil toneladas de canola em 2026. Do volume de soja adquirido, 3,091 milhões de toneladas devem ser processadas nas indústrias da companhia e 1,709 milhão de toneladas comercializadas diretamente.

A produção prevista de farelo de soja é de 2,443 milhões de toneladas. Em relação ao milho, a empresa projeta originar 1,3 milhão de toneladas, das quais 500 mil toneladas serão processadas e 800 mil toneladas comercializadas. A produção de etanol de milho é estimada em 220 mil metros cúbicos no ano, enquanto a de DDGs, coproduto usado principalmente na alimentação animal, deve alcançar 150 mil toneladas. O CEO da 3tentos, João Marcelo Dumoncel, afirmou que a revisão se concentra no desempenho abaixo do previsto nos primeiros seis meses. A companhia manteve as projeções estabelecidas para o segundo semestre. “O guidance é um guidance de volumes processados e comercializados. As revisões foram basicamente essas: um volume que nós esperávamos ter processado de milho, que acabou não sendo; um volume de comercialização de trigo, que acabou não sendo; e o próprio processamento de soja, que também ficou aquém”, disse Dumoncel.

Segundo o executivo, o menor processamento está ligado principalmente ao início mais tardio da planta de etanol de milho no Vale do Araguaia, em Mato Grosso, e das ampliações das unidades de esmagamento de soja e produção de biodiesel. A menor safra de trigo no Rio Grande do Sul também reduziu o volume disponível para comercialização. Apesar da revisão anual, Dumoncel disse que a companhia não identifica, neste momento, um fator que coloque em risco os volumes esperados para a segunda metade do ano. “Pensando em segundo semestre, como eu disse, está mantido o guidance. A gente não está enxergando hoje um ofensor para esse guidance”, afirmou. Segundo ele, as capacidades industriais disponíveis e as perspectivas para as safras dão sustentação às projeções mantidas. A 3tentos também projeta comercializar diretamente 1,709 milhão de toneladas de soja e 800 mil toneladas de milho em 2026, volumes que correspondem à diferença entre a originação e o processamento previsto para cada grão. As demais projeções operacionais apresentadas anteriormente pela companhia foram mantidas.

A 3tentos espera recuperação das margens de sua operação industrial no segundo semestre, com a saída do período de safra e uma relação mais equilibrada entre oferta e demanda, mas não prevê compensar integralmente a pressão provocada pelo adiamento da mistura B16 de biodiesel ao diesel. “A gente entende que sim, o segundo semestre tem uma melhora estrutural, porque sai da safra, a oferta tende a se equalizar um pouco”, afirmou Dumoncel. Segundo ele, porém, a manutenção da mistura obrigatória de biodiesel em 15%, sem avanço para 16%, continuará limitando a recuperação. “Existe, sim, uma possibilidade de melhora, mas talvez não o suficiente para recuperar todos esses 4%.” A indústria foi o principal fator de pressão sobre os resultados da 3tentos no segundo trimestre. Segundo a companhia, o setor de biodiesel ampliou capacidade à espera de um aumento de demanda que viria com a adoção do B16. Como a mudança não ocorreu, a oferta ficou maior do que o consumo previsto, pressionando os preços. A situação não é inédita para o setor.

A companhia produz biodiesel desde 2014 e já atravessou outros períodos de atraso ou redução da mistura obrigatória. Desta vez, porém, a pressão coincidiu com boas safras tanto no Rio Grande do Sul quanto em Mato Grosso, mantendo elevada a disponibilidade de matéria-prima. “Nesse momento, estamos vivendo mais um cenário em que o atraso está acontecendo”, disse. Segundo ele, distribuidoras também anteciparam parte das compras ao longo do ano à espera do aumento da mistura, acumulando produto físico e contratos para períodos posteriores. Esse movimento acrescentou pressão sobre a demanda corrente. A 3tentos também enfrenta o efeito da entrada mais tardia das ampliações das unidades de esmagamento de soja e biodiesel e da nova planta de etanol de milho em Porto Alegre do Norte (MT). A companhia ampliou em cerca de 60% a capacidade das operações de esmagamento e biodiesel nos últimos 12 meses, mas os novos volumes começaram a ser processados depois do inicialmente previsto.

Dumoncel afirmou que empresas de biodiesel sem operações integradas de esmagamento também operam com margens muito comprimidas. Na avaliação da companhia, essa situação tende, em algum momento, a resultar em recomposição de preços ou redução da oferta. “Em alguma medida, vai ter que ou se recompor via aumento de preço ou vai ter necessariamente algum nível de redução de oferta”, afirmou. Apesar da pressão no trimestre, a companhia destacou que, no primeiro semestre, o Ebitda ajustado com hedge cresceu 12,8%, para R$ 472,9 milhões, e o lucro líquido ajustado avançou 14,5%, para R$ 245,3 milhões. A 3tentos afirmou que o pedido de waiver a credores está ligado principalmente a uma mudança na metodologia de cálculo de indicadores financeiros previstos em contratos de dívida, e não a uma expectativa de que a alavancagem da companhia permaneça elevada nos próximos trimestres. A explicação foi dada pelo CFO, Cristiano Machado Costa.

Segundo Costa, parte relevante do resultado da 3tentos nos últimos trimestres veio de operações de hedge de preço e câmbio, cujo efeito não é integralmente capturado pela metodologia originalmente prevista nos contratos para apuração dos covenants. “O pedido de waiver não foi majoritariamente em função de uma perspectiva de continuação da alavancagem, e sim de uma mudança metodológica”, afirmou o executivo. O CFO disse que a companhia buscou alinhar a métrica contratual à forma como o mercado já analisa o resultado da empresa, além de se antecipar à futura adoção da norma contábil internacional IFRS 18, que deve alterar a apresentação de determinadas linhas operacionais e, segundo ele, tende a incorporar de forma mais ampla o resultado de hedge ao cálculo do Ebitda. Enquanto a norma não entra em vigor e alguns detalhes técnicos ainda não estão definidos, a empresa optou por renegociar a metodologia diretamente com os credores.

A discussão ocorre em um momento de alavancagem mais elevada, após um ciclo intenso de investimentos em expansão de lojas, ampliação de capacidade industrial e na nova planta de etanol de milho. Ainda assim, Costa afirmou que a posição de estoques da 3tentos dá suporte ao processo de redução da dívida. A companhia encerrou junho com cerca de R$ 3,2 bilhões em grãos e produtos acabados - soja, farelo, óleo e biodiesel. Historicamente, mais de 40% desse volume se converte em caixa ao longo do segundo semestre, à medida que a produção é comercializada. Para 2026, porém, o CFO disse trabalhar com um cenário mais conservador, de 35%, como referência de planejamento. “Se você quiser colocar um deflator ali dos 42 para um 35, talvez faça sentido”, afirmou. O CEO, João Marcelo Dumoncel, reforçou a avaliação do CFO, dizendo que a companhia está “extremamente segura” quanto ao processo de desalavancagem. Segundo ele, a dívida líquida de aproximadamente R$ 3,2 bilhões, descontada a operação da TentosCap, braço financeiro da empresa, está integralmente coberta por estoques considerados de alta liquidez. “Mais de 40% dele, historicamente, se transforma em caixa durante o segundo semestre”, disse Dumoncel.

O executivo acrescentou que a nova planta de etanol de milho, com investimento de cerca de R$ 1,5 bilhão, praticamente não contribuiu para o Ebitda até junho e deve passar a gerar resultado de forma mais relevante a partir do segundo semestre, um fator adicional de folga, segundo ele, para a trajetória de redução da dívida. A velocidade da desalavancagem, no entanto, dependerá tanto da conversão dos estoques em caixa quanto da recuperação do resultado operacional. Costa disse que a 3tentos trabalha para entregar, no segundo semestre, um Ebitda superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Essa evolução também deve influenciar as decisões futuras de investimento. A companhia mantém, por ora, o plano de uma nova indústria de etanol de milho em Redenção (PA), com desembolsos previstos para começar em meados de 2027 e se estender ao longo de 2028, mas admite que o cronograma pode ser revisto conforme a queda da alavancagem e a rentabilidade do negócio evoluam. “Por ora está mantido, mas a gente tem uma observação constante. Eventualmente, pode sofrer um ajuste de cronograma”, disse Dumoncel. Fonte: Broadcast Agro.