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14/Aug/2026

Fertilizantes: produtor deve reduzir uso em 2026/27

A safra 2026/27 deverá ser marcada pela redução no uso de fertilizantes, principalmente fosfatados, diante da elevação dos custos dos insumos, do estreitamento das margens dos produtores e dos riscos climáticos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que a importação e o uso de fertilizantes fosfatados podem recuar entre 20% e 25% em relação a 2025. A distribuição desses produtos, que normalmente apresenta pico entre abril e agosto, deverá ser deslocada em razão da alta dos preços influenciada pela guerra no Oriente Médio. No caso dos fertilizantes nitrogenados, houve recuperação no ritmo de comercialização em razão do recente arrefecimento dos preços. Já os fosfatados apresentam distribuição mais homogênea ao longo do ano, mas a janela de maior movimentação entre abril e agosto tende a ser deslocada, com volume menor na safra 2026/27.

A guerra no Oriente Médio expôs a dependência brasileira de fertilizantes importados e agravou a indisponibilidade de enxofre, insumo utilizado na produção de ácido sulfúrico empregado na fabricação de adubos fosfatados. A restrição de oferta elevou os custos desses fertilizantes e limitou a possibilidade de recuo dos preços. A dinâmica do mercado mundial de fertilizantes também passa por mudanças, com movimentos de retração no comércio da China e da Rússia, importantes exportadores desses insumos. Nesse contexto, o Turcomenistão passou a figurar recentemente como o quinto maior fornecedor de fertilizantes fosfatados para o Brasil, embora não tivesse participação relevante anteriormente. A diversificação dos fornecedores também ocorreu no mercado de nitrogenados. Em 2022, após a guerra entre Rússia e Ucrânia e os impactos sobre o fornecimento de ureia, a Nigéria passou a ocupar a liderança entre os fornecedores de nitrogenados ao Brasil.

A pulverização das origens reduziu naquele momento a concentração do abastecimento e ajudou a amenizar os riscos de oferta. Para a safra 2026/27, a perspectiva é de menor utilização de fertilizantes fosfatados por parte dos produtores. A combinação entre custos mais elevados, potencial impacto das condições climáticas sobre a produção e margens mais estreitas pode levar parte dos agricultores a reduzir o pacote de insumos para adequar os custos à capacidade de geração de receita. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) manifesta preocupação com uma eventual redução do pacote tecnológico, especialmente quando não houver reserva de nutrientes no solo suficiente para dar suporte às lavouras em condições climáticas adversas. Nesse contexto, a disponibilidade de crédito rural permanece como um dos principais pontos de atenção para a safra 2026/27.

Na definição do Plano Safra 2026/27, houve esforço para reduzir as taxas de juros do custeio em um cenário de restrição fiscal. A taxa da linha de custeio empresarial foi inicialmente estabelecida em 13% ao ano, enquanto o Ministério da Agricultura defendeu a redução para 12,5%. Para viabilizar a redução de 0,5 ponto porcentual no custeio, foram sacrificados R$ 6 bilhões em programas de investimento, embora tenha sido preservada a programação de todas as linhas de investimento em nível não inferior ao executado na safra anterior. A contratação de crédito rural em julho, primeiro mês da safra 2026/27, apresentou redução. O volume alcançou R$ 28,2 bilhões, dos quais mais de 66% foram originados de Cédulas de Produto Rural (CPRs). Apesar da retração, o Ministério da Agricultura considera que o montante contratado não é desprezível diante do cenário de crédito. As margens também estão pressionadas pelos preços dos produtos agrícolas.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) aponta que a cotação média do milho no Brasil recuou de R$ 77,00 por saca de 60 Kg em 2022 para R$ 52,00 por saca de 60 Kg atualmente. Em Mato Grosso, o preço está em R$ 43 por saca, nível que representa praticamente prejuízo para o produtor estadual. O custo de produção da safra 2026/27 em Mato Grosso também aumentou. Conforme estimativas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo alcança cerca de R$ 7,3 mil por hectare, ante R$ 6,7 mil consolidados na temporada 2025/26. A produtividade média do Estado está estimada em 128,6 sacas por hectare. A ampliação do consumo interno de milho é apontada como uma alternativa para melhorar a formação de preços do cereal. Em Mato Grosso, 28% do milho já é destinado à produção de etanol, enquanto o consumo interno do Estado avançou de 11 milhões de toneladas em 2021 para 22 milhões de toneladas atualmente. O aumento da demanda da indústria de etanol amplia a absorção do cereal e pode contribuir para reduzir a pressão sobre os preços ao produtor. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.