14/Aug/2026
A divisão de Fertilizantes Foliares e Produtos Industriais é o principal ponto fraco do desempenho comercial da Vittia em 2026, em um cenário no qual produtores vêm postergando essas compras para o momento mais próximo possível da aplicação, diante de margens apertadas e maior restrição financeira no campo. A receita da linha recuou 30,1% no segundo trimestre, para R$ 18,4 milhões, e caiu 19,9% no primeiro semestre, para R$ 68,1 milhões. O desempenho contrastou com o crescimento de 34,5% em Soluções Biológicas e Naturais e de 30% em Fertilizantes de Solo no segundo trimestre. A Vittia avalia que, diante do cenário mais desafiador, os produtores estão deixando os fertilizantes foliares fora das negociações iniciais e postergando a decisão de compra para uma etapa mais avançada do ciclo, quando já é possível avaliar o desenvolvimento das lavouras.
A expectativa é de alguma recuperação ao longo da temporada, caso as condições das lavouras indiquem necessidade de investimentos adicionais em produtos foliares. No consolidado, a Vittia encerrou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 17,9 milhões, redução de 15,4% ante o resultado negativo de R$ 21,2 milhões registrado em igual período de 2025. A receita líquida cresceu 15,1%, para R$ 114 milhões, enquanto o Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 16,8 milhões, ante resultado negativo de R$ 20,8 milhões um ano antes. A companhia pondera que o crescimento de 15,1% da receita no segundo trimestre não representa o ritmo esperado para o exercício completo. O segundo trimestre possui participação menor no faturamento anual e, por isso, tende a apresentar variações percentuais mais expressivas.
No primeiro semestre, a receita líquida ficou praticamente estável, com queda de 0,4%, para R$ 236 milhões. A melhora de Soluções Biológicas e Naturais contribuiu para compensar parcialmente a fraqueza dos fertilizantes foliares. A divisão registrou receita de R$ 31,8 milhões no segundo trimestre e crescimento de 5,7% no acumulado do ano, recuperando parte do desempenho mais fraco observado no início de 2026. Para o segundo semestre, a companhia mantém postura cautelosa diante da combinação de preços pressionados das commodities, custos elevados, juros altos e maior restrição de crédito no agronegócio. A possibilidade de intensificação do El Niño na safra 2026/27 também representa fator adicional de incerteza para produtores e distribuidores de insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.