14/Aug/2026
A Vittia encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido ajustado de R$ 17,4 milhões, ante prejuízo de R$ 21,2 milhões no mesmo período de 2025, segundo balanço divulgado pela companhia. A receita líquida consolidada somou R$ 114 milhões no trimestre, alta de 15,1% na comparação anual. O Ebitda ajustado também ficou negativo, em R$ 16,8 milhões, ante resultado negativo de R$ 20,8 milhões um ano antes, melhora de cerca de R$ 4 milhões. Segundo a empresa, o segundo trimestre é tradicionalmente um período de entressafra, com menor faturamento e menor peso no resultado anual da companhia. No primeiro semestre, a receita líquida consolidada somou R$ 236 milhões, queda de 0,4% ante igual período de 2025.
O Ebitda ajustado do semestre ficou negativo em R$ 17,4 milhões, ante R$ 13,9 milhões negativos um ano antes, e o prejuízo líquido ajustado somou R$ 23,3 milhões, ante R$ 23,1 milhões negativos. A companhia destacou o desempenho da linha de Soluções Biológicas e Naturais, que cresceu 34,5% no trimestre e acumula alta de 5,7% no semestre. A Vittia afirmou que os resultados foram obtidos em um "ambiente ainda desafiador para o agronegócio brasileiro, marcado por pressão sobre a rentabilidade dos produtores, preços deprimidos de importantes commodities agrícolas, custos de produção elevados e condições mais restritivas de crédito". A geração de caixa das atividades operacionais somou R$ 102,6 milhões no primeiro semestre, alta de 42,3% na comparação anual.
A dívida líquida encerrou o período em R$ 96,4 milhões, recuo de 16,3% ante o primeiro semestre de 2025, com alavancagem de 0,86 vez o Ebitda ajustado. A companhia destinou R$ 41,6 milhões aos acionistas no semestre, sendo R$ 25,5 milhões em proventos e R$ 16,1 milhões em recompra de ações. "O crescimento registrado no trimestre, especialmente em Soluções Biológicas e Naturais, mostra a capacidade da Vittia de avançar em uma frente estratégica mesmo diante de um ambiente desafiador para o agronegócio", afirmou, em nota, o CFO e diretor de Relações com Investidores da Vittia, Alexandre Del Nero Frizzo. "Ao mesmo tempo, ampliamos a geração de caixa e mantivemos uma estrutura de capital equilibrada, o que nos permite seguir executando nossa estratégia com disciplina e preservar a capacidade de investimento", disse.
A Vittia lançou quatro produtos no período, voltados ao manejo de nematoides, controle biológico, fixação de nitrogênio e nutrição de plantas. Dois deles foram desenvolvidos na plataforma própria de pesquisa da companhia. A empresa também investiu na implantação de uma nova célula de envase para produtos formulados da linha de biológicos. O aporte no primeiro semestre foi de R$ 1,3 milhão, dentro de um plano total de R$ 9,6 milhões previstos até o fim de 2026. "A geração de caixa do primeiro semestre e o nível de alavancagem de 0,86 vez nos dão conforto para atravessar o atual ciclo do setor, mantendo disciplina na execução da estratégia", afirmou Del Nero Frizzo. "Seguimos atentos às condições de mercado, sem perder de vista os investimentos prioritários e a preparação da companhia para capturar a retomada do agronegócio", completou.
A Vittia avalia que a recuperação das margens segue limitada em 2026 pela cautela dos produtores nas compras e por uma competição mais agressiva entre fornecedores, em um ambiente financeiro ainda difícil para o agronegócio. A companhia não vê, por enquanto, espaço para uma recomposição estrutural da rentabilidade e trabalha com a possibilidade de estabilidade ao longo do ano. “A gente ainda tem um momento de mercado com pressão de margem. A gente não vê mais quedas significativas, como foram nos anos anteriores, mas ainda não é um mercado de repasse e reconstrução de margem”, afirmou Alexandre Del Nero Frizzo. Segundo o executivo, a pressão é mais evidente em linhas cuja compra pode ser postergada para fases posteriores do ciclo das lavouras. O produtor, diante de margens mais apertadas e de crédito restrito, tende a priorizar produtos considerados essenciais e deixar decisões adicionais para mais perto do momento de aplicação.
Na divisão de Fertilizantes Foliares e Produtos Industriais, a receita caiu 30,1% no segundo trimestre, para R$ 18,4 milhões, e recuou 19,9% no acumulado do semestre. Frizzo classificou a linha como o principal destaque negativo do período. “O produtor, este ano, dado esse cenário desafiador, está postergando as compras ainda mais do que no ano passado, e essa linha está realmente deixando para tomar a decisão no último instante possível”, disse. Frizzo afirmou que a companhia ainda espera recuperação dessas vendas ao longo do ano, conforme o desenvolvimento das lavouras crie necessidade de aplicações adicionais. Em sentido contrário, a linha de Soluções Biológicas e Naturais cresceu 34,5% no trimestre, para R$ 31,8 milhões, enquanto Fertilizantes de Solo avançou 30%, para R$ 63,9 milhões. O diretor-presidente da Vittia, Wilson Fernando Romanini, disse que a retração da demanda também intensifica a disputa comercial no setor.
Segundo ele, empresas em situação financeira mais pressionada buscam acelerar vendas para gerar recebíveis e reforçar o fluxo de caixa. “Quando você tem o mercado retraído em compras, sem dúvida nenhuma, você vai ter uma queda de margem”, afirmou. Romanini acrescentou que há ofertas no mercado que “não fazem muito jus à lógica funcional de trabalho”. Para o CEO, uma recuperação mais consistente depende sobretudo da melhora da rentabilidade agrícola. “Margem, hoje, eu acho que é uma discussão que só muda a partir do momento em que nós tivermos um mercado mais consumidor”, afirmou. A companhia também vê preços deprimidos de commodities, custos elevados, juros altos e restrição de crédito como fatores que seguem limitando a disposição do produtor para investir. A Vittia pretende manter a recompra de ações nos próximos meses e trimestres por considerar que os papéis estão sendo negociados a um preço “totalmente descolado” do valor intrínseco do negócio.
Para Alexandre Del Nero Frizzo, a companhia vê atualmente a recompra como a alternativa mais atraente de alocação de capital. “Dado o valor das ações hoje, que está totalmente descolado do valor intrínseco do negócio, a gente precisa aproveitar essa oportunidade para os acionistas atuais. Sem dúvida, é a melhor alocação de capital que a gente poderia fazer”, afirmou Frizzo. Ao fim do segundo trimestre, a ação VITT3 estava cotada a R$ 3,26, com valor de mercado de R$ 513,7 milhões, queda de 21,2% ante o encerramento do primeiro trimestre. A Vittia desembolsou R$ 16,1 milhões em recompras no primeiro semestre. Segundo Frizzo, o sexto programa de recompra estava com 27% do total aprovado executado até o momento da teleconferência, e a estratégia não deve necessariamente se encerrar com o programa atual. “Obviamente não vamos ficar limitados ao sexto programa. A gente tem como estratégia executar essa recompra de forma gradual, aproveitando as oportunidades”, disse.
O executivo afirmou que a recompra não era originalmente a principal estratégia da companhia para o mercado de capitais. A intenção, segundo ele, era ampliar gradualmente o uso do mercado como fonte de financiamento, mas o nível atual de preço dos papéis alterou a avaliação sobre o melhor uso dos recursos. “A recompra não era a estratégia que a gente gostaria de estar executando. A estratégia era que a gente, ao contrário, fosse cada vez mais se apoiando no mercado”, afirmou. Frizzo disse ainda que, ao comparar a Vittia com referências observadas em transações privadas, a administração entende que o valor de mercado da empresa está particularmente descontado. “O nível de preço hoje realmente surpreende a gente aqui da Vittia. Olhando até todas as transações privadas e números privados, a gente entende que a Vittia é o ativo mais barato do mercado”, afirmou.
A estratégia é apoiada pela posição financeira da companhia. A dívida líquida encerrou o primeiro semestre em R$ 96,4 milhões, queda de 16,3% na comparação anual, e a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado ficou em 0,86 vez. A geração de caixa das atividades operacionais somou R$ 102,6 milhões no semestre, alta de 42,3%. Além das recompras, a Vittia destinou R$ 25,5 milhões ao pagamento de juros sobre capital próprio, totalizando R$ 41,6 milhões aos acionistas no período. Frizzo disse que a baixa alavancagem dá flexibilidade para a empresa manter investimentos e atravessar um ambiente de juros elevados e crédito mais restritivo. O diretor-presidente da Vittia, Wilson Fernando Romanini, também associou a recompra à avaliação da administração sobre o negócio. “Se a gente está recomprando é porque a gente acredita e a gente entende que é o melhor ativo para se investir”, afirmou Romanini. Fonte: Broadcast Agro.