14/Aug/2026
A Kepler Weber encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 6,3 milhões, queda de 56,1% em relação aos R$ 14,4 milhões registrados em igual período de 2025. A receita líquida somou R$ 299,1 milhões, retração de 3,9% na comparação anual. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 31,7%, para R$ 25,9 milhões, com margem de 8,7%, ante 12,2% um ano antes. Segundo a companhia, a redução da rentabilidade refletiu principalmente a pressão sobre preços em um ambiente ainda adverso no agronegócio. O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Kepler Weber, Renato Arroyo, afirmou que praticamente toda a diferença do Ebitda ante o segundo trimestre do ano passado veio da redução do lucro bruto. “A gente tem um único problema que chama preço”, disse. Segundo ele, os custos estruturais permanecem controlados e a empresa tem buscado ganhos de eficiência para atenuar a pressão comercial.
No primeiro semestre, a receita líquida acumulou R$ 617,1 milhões, queda de 7,7% ante igual período de 2025. O Ebitda somou R$ 59,6 milhões, retração de 34,4%, com margem de 9,7%, enquanto o lucro líquido alcançou R$ 23,4 milhões, com margem líquida de 3,8%. Entre as áreas de negócios, Fazendas registrou receita de R$ 83,1 milhões no trimestre, queda de 13,2% na comparação anual. Agroindústrias avançou 17,9%, para R$ 126,5 milhões, e Reposição e Serviços cresceu 5%, para R$ 65,6 milhões. Negócios Internacionais recuou 46,3%, para R$ 16,6 milhões, enquanto Portos e Terminais caiu 50,1%, para R$ 7,3 milhões. A companhia encerrou junho com caixa líquido de R$ 29,3 milhões e disponibilidades de R$ 354,2 milhões. Desde dezembro, o saldo de disponibilidades aumentou R$ 37,8 milhões, mesmo após R$ 27,1 milhões em investimentos no semestre.
Arroyo classificou a geração de caixa como a “joia da coroa” do período. Segundo ele, a companhia conseguiu manter investimentos e preservar uma posição financeira considerada saudável mesmo diante da deterioração do ambiente de negócios. O retorno sobre o capital investido (ROIC) encerrou junho em 19,7%, ante 21,4% no primeiro trimestre. Na comparação entre os dois períodos, o lucro operacional após impostos recuou 5,7%, enquanto o capital investido aumentou 2,4%. O diretor-presidente da Kepler Weber, Bernardo Nogueira, afirmou que a companhia permanece cautelosa diante do cenário. “A gente ainda não tem nenhum sinal de mudança desse cenário mais adverso”, disse, ao citar preços das commodities, custos dos insumos e juros. A Kepler Weber tem registrado redução nos adiantamentos feitos por clientes na contratação de projetos diante do crédito mais caro e da menor disponibilidade de recursos no agronegócio, mas mantém postura cautelosa para não compensar esse movimento com maior financiamento próprio das vendas.
Segundo a companhia, as contas a receber de longo prazo permanecem praticamente estáveis, em torno de R$ 30 milhões. “O que tem acontecido muito, e a gente vê isso claramente, também voltando ao balanço, é o adiantamento de clientes. Como o dinheiro está escasso, está caro, vocês vão ver que a rubrica de adiantamento de clientes caiu bastante”, afirmou o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Kepler Weber, Renato Arroyo. Segundo o executivo, clientes que anteriormente poderiam antecipar entre 20% e 25% do valor de uma obra passaram a fazer pagamentos mais parcelados. A mudança, porém, não levou a companhia a ampliar de forma relevante os prazos concedidos. “Os valores a receber de clientes no longo prazo se mantêm praticamente estáticos quando a gente compara o ano passado e esse ano. Tem R$ 30 milhões, mais ou menos, no longo prazo. Então significa que a companhia não tem mudado a maneira de financiar o cliente e alongar prazo”, disse Arroyo.
A estratégia, segundo ele, é preservar a qualidade da carteira mesmo que isso implique abrir mão de determinados negócios. “Muitas vezes a gente opta por não fazer uma venda arriscada pela companhia, mantendo grande parte do nosso recebível dentro dos 12 meses, dentro do ciclo operacional da companhia”, afirmou. Bernardo Nogueira disse que a companhia evita usar o crédito como instrumento para acelerar vendas em um momento mais adverso. “No momento mais difícil é fácil você ir atrás, a ferramenta crédito traz vendas, mas a gente está abrindo mão onde a gente acredita que não deve entrar, não deve alongar”, afirmou. Arroyo afirmou que a alteração mais relevante está na dinâmica dos adiantamentos, e não no prazo dos recebíveis. Segundo ele, a companhia busca manter grande parte das contas a receber dentro dos 12 meses e evitar aumento relevante da exposição de longo prazo. A gestão do capital de giro contribuiu positivamente com R$ 9,6 milhões no primeiro semestre. Arroyo afirmou que a companhia tem conseguido ajustar essa necessidade à redução da receita e preservar uma estrutura financeira mais conservadora.
Nogueira atribuiu parte dessa condição ao perfil da carteira de clientes da Kepler, formada, segundo ele, por produtores, cooperativas e empresas mais estruturados em suas regiões de atuação. “Em Mato Grosso são os agricultores que não estão nessa lista dos inadimplentes em geral, é a turma mais consolidada, estruturada”, afirmou. Segundo Arroyo, a postura comercial busca evitar que a redução dos adiantamentos se transforme em alongamento excessivo dos recebíveis. “Mudou a dinâmica de adiantamento de clientes, isso mudou bastante, mas a companhia tem feito e adotado uma postura cautelosa, a fim de não incrementar muito e alongar muito o nosso recebível”, afirmou. A diretoria da Kepler Weber avalia que o agronegócio brasileiro está “mais perto do final do que do início” do atual ciclo negativo de rentabilidade, embora o horizonte imediato, para o segundo semestre de 2026 e para 2027, ainda se desenhe desafiador. A leitura foi compartilhada pelo diretor-presidente da companhia, Bernardo Nogueira.
Segundo o executivo, o principal gargalo da fabricante de equipamentos de armazenagem no período continuou sendo a pressão sobre os preços, provocada pela retração do setor produtivo, enquanto os custos fabris e as despesas operacionais seguem sob rigoroso controle. Nogueira destacou que a rentabilidade dos produtores de grãos se encontra em patamares substancialmente inferiores aos observados em crises passadas, como a de 2015/16, pressionada por preços da soja em mínimas históricas em termos reais e por juros elevados. “Olhando para os ciclos passados do agro, que duram entre três e cinco anos, o setor como um todo já passou por quatro anos mais difíceis. No curto prazo, 2026 e provavelmente 2027 ainda serão bastante desafiadores, mas a maré vai virar e a Kepler vai sair muito fortalecida”, afirmou o CEO.
Na mesma linha, o diretor financeiro e de Relações com Investidores, Renato Arroyo, explicou que a retração de 31,7% no Ebitda do segundo trimestre de 2026 (para R$ 25,9 milhões) reflete diretamente a deterioração de preços no mercado comercial, e não ineficiência operacional. “A parte de custos e de eficiência fabril está muito bem estruturada na companhia. Temos um único problema, que se chama preço, fruto da recessão econômica no setor do agro. Quase toda a perda de lucro bruto vem daí”, pontuou o CFO. Para conter os impactos na margem, a empresa obteve R$ 16 milhões em redução de custos de produtos no acumulado do ano e manteve as despesas com SG&A em patamares semelhantes aos de 2024. Como estratégia para atravessar o momento adverso e compensar a retração no segmento de Fazendas, cuja receita recuou 13,2% no trimestre e 25% no acumulado do ano -, a Kepler Weber tem acelerado a diversificação do portfólio.
O vetor de crescimento no período foi a divisão de Agroindústrias, que avançou 17,9% no trimestre (para R$ 126,5 milhões), impulsionada por projetos na cadeia de biocombustíveis (biodiesel e etanol de milho, trigo e canola), como contratos com São Martinho, ALD e Soli 3. Segundo Nogueira, essa carteira já garante faturamento para 2026 e inclui projetos relevantes mapeados para 2027. O CEO destacou ainda a resiliência da área de Reposição e Serviços (R&S), favorecida por reformas e manutenções do parque instalado. Nogueira prevê uma aceleração ainda maior desse negócio na segunda metade do ano, projetando que o segmento tem potencial para se tornar o segundo maior da empresa em 2026 e, futuramente, a principal fonte de receita da Kepler. Já sobre a divisão de Portos e Terminais, que recuou 50,1% no trimestre, o executivo afirmou que a empresa possui um pipeline de propostas que supera R$ 500 milhões, hoje retido por atrasos em licenças ambientais e por decisões pendentes dos clientes, mas com expectativa de recuperação nas vendas no segundo semestre.
Por fim, no balanço, Arroyo ressaltou que a disciplina operacional permitiu encerrar o trimestre com caixa líquido de R$ 29,3 milhões e R$ 354,2 milhões em disponibilidades, com geração de caixa operacional de R$ 37,8 milhões no semestre. O executivo revelou ainda que a companhia conseguiu reduzir em 1 ponto porcentual o custo médio de sua dívida. Com o Capex readequado para um ritmo mais moderado, após aportes elevados em tecnologia nos anos anteriores, a Kepler destinou 30% dos investimentos do trimestre a novos produtos - iniciativa que, segundo Nogueira, já faz com que os lançamentos dos últimos cinco anos respondam por 12% da receita total da empresa, ante 3% em 2022. A Kepler Weber projeta crescimento da receita no terceiro trimestre em relação ao segundo, acompanhando a sazonalidade habitual de seu mercado, mas admite que o ritmo de expansão deve vir mais “comprimido” na comparação anual. A diretoria da fabricante destacou a influência da retração de 14% na carteira de pedidos ao fim do segundo trimestre de 2026 em relação a igual período do ano passado.
Segundo Arroyo, o encolhimento da carteira se concentrou na área de Fazendas, onde o recuo foi de 40% a 50%, refletindo o baixo apetite do produtor rural em meio a margens pressionadas. “Tivemos um crescimento de 36% em receita do segundo para o terceiro trimestre do ano passado. Provavelmente teremos um crescimento agora, que faz parte da sazonalidade, mas talvez um pouco comprimido por uma carteira de Fazendas um pouco menor”, explicou o CFO. Ele acrescentou que, embora os recursos do Plano Safra e do PCA ajudem a impulsionar os negócios no campo, a medida “ainda não amplifica receitas em relação ao ano anterior”. Por outro lado, Bernardo Nogueira afirmou que não enxerga espaço para nova deterioração da carteira no curto prazo.
“Temos a convicção de que vamos voltar, e a carteira deve continuar nesse patamar. Estamos trabalhando para não aumentar o gap em relação ao ano passado”, ponderou o CEO, destacando que o mix atual conta com maior participação de Agroindústrias, segmento com ciclo de faturamento mais diluído. Questionado sobre os riscos do fenômeno El Niño para a próxima safra, Nogueira avaliou que a diversificação geográfica da empresa - com obras em mais de 300 municípios no último ano, funciona como um escudo contra adversidades climáticas regionais. “Se uma região estiver mais retraída e outra acelerando investimentos, vamos estar atentos para atender onde houver maior demanda”, disse o executivo, lembrando que eventuais perdas na produção do Matopiba, que engloba regiões do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, ou do Centro-Oeste tendem a ser parcialmente compensadas pela Região Sul. O executivo acrescentou que a companhia monitora de perto o crédito, para evitar aumento da inadimplência em praças que eventualmente fiquem mais estressadas pelo clima. Fonte: Broadcast Agro.