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13/Aug/2026

Hidrogênio: PHBC abre espaço para investimentos

A Associação Brasileira do Hidrogênio (ABH2) avalia que a assinatura do decreto que institui o Programa Nacional do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC) representa um passo decisivo para o Brasil ampliar sua participação no mercado global de hidrogênio de baixo carbono. O novo marco deve fortalecer a criação de regras, instrumentos e maior previsibilidade para transformar o potencial energético e industrial do País em projetos, investimentos e geração de empregos. O decreto estabelece uma estratégia de neutralidade tecnológica, sem restringir o desenvolvimento do setor a uma rota específica de produção. O modelo abre espaço para diferentes alternativas, incluindo reforma do gás natural com captura de carbono, eletrólise da água, biogás, etanol e, futuramente, hidrogênio natural, que ainda está em fase inicial de pesquisa. Levantamento realizado pela ABH2 por meio do projeto UK PACT identificou 34 projetos de hidrogênio de baixa emissão com previsão de entrada em operação até 2035.

Em conjunto, os empreendimentos apresentam potencial de produção de aproximadamente 4,3 milhões de toneladas por ano. Cerca de 88% dessa capacidade está concentrada na Região Nordeste, principalmente em complexos portuários, embora também existam projetos previstos nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Dos 34 projetos identificados, 24 têm como estratégia produzir e consumir o próprio hidrogênio, favorecendo a formação de polos industriais regionais e a expansão da atividade econômica em diferentes áreas do País. A demanda potencialmente contratada até 2035 deve alcançar aproximadamente 3,7 milhões de toneladas, equivalente a cerca de 86% da produção projetada. A relação entre oferta e demanda potencial indica um equilíbrio superior ao observado em outros mercados, nos quais a formação de uma base de consumidores para o hidrogênio produzido representa um dos principais desafios.

Atualmente, o Brasil responde por cerca de 0,5% da produção mundial de hidrogênio, destinada principalmente ao consumo em refinarias e fábricas de amônia. A expansão do hidrogênio de baixa emissão de carbono amplia o potencial de participação brasileira nesse mercado, considerando também suas aplicações como matéria-prima industrial, insumo energético e combustível para setores como transporte, geração de energia e atividades industriais de difícil descarbonização. Apesar das perspectivas de crescimento, a maior parte dos projetos brasileiros ainda se encontra em fases iniciais de desenvolvimento. Cerca de 81% da capacidade prevista está em estágio conceitual ou de estudos de viabilidade, enquanto pouco mais de 18% avançaram para a etapa de detalhamento. Apenas 0,04% da capacidade projetada está atualmente em construção ou operação.

Esse estágio de maturidade acompanha a realidade internacional: segundo o Global Hydrogen Review 2026, da Agência Internacional de Energia (IEA), apenas 12% dos projetos de hidrogênio anunciados mundialmente para 2030 chegaram à decisão final de investimento ou iniciaram a construção. Com a regulamentação do marco legal, as próximas etapas para o desenvolvimento do setor incluem a implementação das regras de certificação e de cálculo das emissões ao longo da cadeia, a estruturação dos mecanismos previstos para o segmento, a formação de mão de obra qualificada, o planejamento territorial dos polos de produção e consumo e a integração entre os setores de energia, indústria e transporte. A consolidação dessas medidas será fundamental para ampliar a escala dos projetos e posicionar o Brasil na nova configuração industrial associada à transição energética. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.