11/Aug/2026
Segundo a Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil (AMA Brasil), as compras de fertilizantes para a safra de grãos 2026/27 estão atrasadas e o produtor brasileiro pode reduzir o volume adquirido neste ano, diante da combinação de preços elevados, restrição de crédito, problemas logísticos e dificuldades de suprimento. A janela para contratação e entrega dos insumos está cada vez mais curta. Os produtores postergaram as aquisições na expectativa de recuo das cotações, especialmente da ureia, o que não se confirmou. A instabilidade no mercado internacional e a manutenção dos preços dos fertilizantes em patamares elevados levaram parte dos agricultores a adiar as compras. A expectativa de redução dos preços com eventual encerramento dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que afetam os embarques pelo Estreito de Ormuz, também contribuiu para a postergação dos negócios. A ureia, contudo, interrompeu o movimento de queda e permaneceu em nível elevado. A janela disponível para aquisição dos fertilizantes é estimada em, no máximo, 50 dias até o início do plantio da próxima safra.
O prazo envolve não apenas a contratação dos insumos pelo agricultor, mas também todo o processo logístico até a entrega nas propriedades. Após a compra no exterior, a matéria-prima precisa ser embarcada, chegar ao Brasil, ser transportada aos armazéns e às unidades misturadoras, passar pela formulação e, posteriormente, seguir para as fazendas. Considerando uma encomenda realizada neste momento, o prazo mínimo estimado para a chegada do produto à propriedade é de aproximadamente um mês. O transporte marítimo até o Brasil demanda cerca de 20 dias, seguido de aproximadamente 10 dias para chegada à misturadora, elaboração dos formulados e transporte até as fazendas. O cronograma reduz a margem para novas postergações das compras diante da proximidade do início do plantio da safra 2026/27. A possibilidade de redução do volume adquirido pelos produtores é considerada provável, mas ainda não há estimativa percentual para essa queda, uma vez que as projeções de redução da demanda por fertilizantes têm apresentado variações.
O cenário reúne simultaneamente restrições de crédito, dificuldades logísticas e de suprimento, efeitos dos conflitos geopolíticos e baixos estoques disponíveis. O crédito permanece entre os principais obstáculos para a aquisição dos insumos, em um ambiente de inadimplência elevada e dificuldade de acesso a recursos pelos produtores. Paralelamente, os custos logísticos aumentaram de forma expressiva. Em determinadas rotas, o frete avançou entre 35% e 50% neste ano após a implementação da tabela de fretes, elevando os custos de transporte dos fertilizantes. Os estoques da indústria de mistura também apresentam desequilíbrio entre os diferentes componentes. Há disponibilidade de cloreto e sulfato, mas falta ureia e fosfato monoamônico (MAP), matérias-primas essenciais para a elaboração dos formulados. A escassez desses componentes reduz a capacidade das misturadoras de formular combinações de nutrientes adequadas às necessidades específicas de cada cultura e produtor e limita a possibilidade de otimização das formulações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.