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11/Aug/2026

Fertilizantes: dependência externa estrutural no Brasil

A dependência brasileira de fertilizantes importados é estrutural e o País não deve alcançar autossuficiência no setor, diante das limitações de recursos minerais, da qualidade dos minérios disponíveis e, principalmente, dos elevados custos de produção. É mais importante ampliar a segurança de abastecimento e o poder de compra do Brasil no mercado internacional do que buscar a produção doméstica integral dos fertilizantes consumidos pela agricultura. No caso do potássio, o Brasil possui reservas, mas a exploração é complexa e demanda longo período de desenvolvimento. As minas de Sergipe e o projeto de Autazes, no Amazonas, são exemplos de iniciativas que não devem alterar rapidamente a dependência externa. A mina de Sergipe está próxima do esgotamento e foi adquirida pela VL Mineração, da holding J&F, que também controla a JBS, por R$ 146 milhões. Autazes enfrenta desafios geológicos, ambientais e relacionados à profundidade, o que torna o desenvolvimento do projeto mais demorado.

A expectativa é de que eventual produção de potássio em Autazes ocorra apenas em horizonte de longo prazo. A qualidade dos minérios também limita a competitividade brasileira. No caso do fosfato, as reservas nacionais apresentam concentração de fósforo inferior à observada em grandes produtores internacionais. No Brasil, há jazidas com concentração de 2% a 5% de fósforo, enquanto países como Marrocos e Tunísia possuem minérios com teores significativamente mais elevados, aumentando a eficiência e reduzindo os custos de processamento. No segmento de nitrogenados, a principal limitação está no custo do gás natural, matéria-prima utilizada na produção de amônia e, posteriormente, de ureia. O gás natural no Brasil apresenta custo muito superior ao praticado em países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Bahrein. Essa diferença reduz a competitividade das unidades brasileiras de produção de ureia, inclusive da Fafen, fábrica de fertilizantes nitrogenados reativada pela Petrobras na Bahia.

A concorrência internacional também representa um obstáculo estrutural. A Rússia, por exemplo, possui condições de produzir ureia a custos inferiores aos de unidades brasileiras. Mesmo com novos investimentos públicos e privados para ampliar a produção nacional, a avaliação é de que o Brasil continuará enfrentando desvantagem de custos frente aos grandes fornecedores internacionais, como Rússia, Canadá e países do Oriente Médio. Atualmente, o País importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras de nitrogênio, fósforo e potássio. Nesse cenário, o Programa Nacional de Fertilizantes (Profert), em discussão no Congresso Nacional, é considerado relevante para ampliar a geração de dados, direcionar investimentos e estimular pesquisas. O programa, porém, não deve ser interpretado como solução para a dependência externa, uma vez que não elimina as limitações geológicas e econômicas que restringem a produção brasileira.

A estratégia considerada mais efetiva para reduzir a vulnerabilidade do País é ampliar o poder de negociação no mercado internacional. A Índia é citada como exemplo de grande consumidor capaz de influenciar os preços globais por meio de grandes ofertas de compra de fertilizantes. O Brasil, apesar de também ser um dos maiores consumidores mundiais, permanece como tomador de preços e possui limitada capacidade de influenciar as cotações internacionais. A atual alta dos preços dos fertilizantes é considerada parcialmente conjuntural e pode perder intensidade com a redução dos conflitos geopolíticos e a normalização do comércio internacional. Os problemas relacionados ao Estreito de Ormuz, que afetam o escoamento de insumos e elevam os custos logísticos, além da guerra na Ucrânia, estão entre os fatores que contribuem para a pressão recente sobre os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.