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11/Aug/2026

Fertilizantes: Argentina eleva desembolso em 2026

Segundo dados da Bolsa de Comercio de Rosario (BCR), a Argentina desembolsou US$ 180 milhões a mais com importações de fertilizantes no primeiro semestre de 2026, em razão da alta dos preços internacionais dos insumos. Apesar de o volume importado ter sido o segundo menor para o período desde 2019, os gastos alcançaram US$ 1,762 bilhão nos seis primeiros meses do ano, a segunda maior cifra histórica para um primeiro semestre. O aumento do desembolso foi provocado principalmente pela elevação dos preços CIF, em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio, ao fechamento do Estreito de Ormuz e ao encarecimento dos insumos energéticos. A crise no Golfo Pérsico afetou diretamente os mercados de ureia, amônia e enxofre. O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do comércio global de gás natural liquefeito (GNL) e 25% do comércio mundial de ureia, provocando forte estrangulamento da oferta internacional. Nesse cenário, o preço da ureia acumulou alta superior a 100% em relação a janeiro.

No segmento de fertilizantes fosfatados, a valorização da rocha fosfórica e a paralisação temporária de unidades de produção de amônia e enxofre no Irã e no Catar elevaram os custos do enxofre em cerca de 100%, com reflexos nos preços do superfosfato triplo (TSP), que subiu 39%, e do fosfato diamônio (DAP), com alta de 27% no período. Diante do choque de preços, a Argentina importou 437 mil toneladas de fertilizantes nitrogenados no primeiro semestre, 767 mil toneladas de fosfatados e 39 mil toneladas de potássicos. A desaceleração das compras foi mais acentuada em junho, quando as importações de nitrogenados recuaram ao menor nível desde 2015, ficando 60% abaixo da média dos últimos cinco anos. No caso dos fosfatados, as compras atingiram o menor volume desde 2018, 34% abaixo da média quinquenal. No período, o preço médio CIF pago pelos importadores argentinos alcançou US$ 541 por tonelada para nitrogenados e US$ 816 por tonelada para fosfatados.

A produção doméstica de fertilizantes da Argentina varia atualmente entre 1,4 milhão e 1,9 milhão de toneladas por ano, volume suficiente para atender entre 30% e 35% do consumo nacional, estimado em 5 milhões de toneladas. Para reduzir a dependência externa, a BCR destacou a aprovação de um projeto enquadrado no Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) para a construção de uma nova fábrica de ureia granulada em Bahía Blanca, com investimento de US$ 2,7 bilhões e utilização de gás natural proveniente de Vaca Muerta. A unidade terá capacidade projetada de 2,1 milhões de toneladas anuais e deverá ser a maior fábrica de ureia da América Latina. O empreendimento poderá transformar a Argentina em exportadora do insumo, ampliando a oferta regional e criando potencial para o atendimento de mercados estratégicos, como o Brasil, principal importador mundial de ureia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.