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10/Aug/2026

Logística do Agro exige expansão de infraestrutura

O crescimento da produção agrícola brasileira em ritmo superior à expansão da infraestrutura logística nacional tem ampliado os gargalos no transporte de cargas, especialmente na Região Centro-Oeste. O Ministério dos Transportes avalia que o descompasso entre oferta agrícola e capacidade de escoamento contribui para a recorrência de problemas em períodos específicos do ano e reforça a necessidade de acelerar investimentos em rodovias, ferrovias, hidrovias e acessos portuários. Durante o pico da colheita de soja em 2026, filas de caminhões voltaram a se formar nos acessos aos terminais de Miritituba (PA), pela BR-163, corredor estratégico do Arco Norte. O movimento evidenciou a dificuldade da infraestrutura rodoviária em absorver o aumento do fluxo de cargas destinado aos terminais de transbordo da região. A Secretaria Nacional de Transporte Rodoviário avalia que a expansão da produção agrícola, principalmente no Centro-Oeste, avançou em velocidade superior à ampliação histórica da infraestrutura disponível.

A implantação de novos projetos logísticos exige etapas como planejamento técnico, licenciamento ambiental, modelagem econômico-financeira, consultas e audiências públicas, processos que demandam tempo e podem ocorrer em ritmo inferior ao crescimento da produção. Um dos focos do Ministério dos Transportes é ampliar a integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias, especialmente no corredor de acesso aos terminais de Miritituba. A rota é considerada estratégica para o escoamento agrícola e o aumento da movimentação de grãos nos últimos anos elevou a pressão sobre os acessos aos terminais de transbordo, expondo limitações da infraestrutura existente. A Via Brasil, concessionária responsável pela BR-163, reconhece os desafios nos canais de acesso aos terminais de transbordo e atribui o problema a uma demanda superior à considerada no dimensionamento inicial dos investimentos da concessão. A concessionária informou que antecipou obras para ampliar a capacidade logística e melhorar os acessos, com investimentos de aproximadamente R$ 80 milhões na construção de um novo acesso às estações, incluindo pavimentação asfáltica e adequação do traçado para o tráfego de carretas.

O contrato original da concessão da BR-163 considerava o avanço da Ferrogrão como alternativa complementar para o transporte da produção agrícola na região. O projeto ferroviário ainda não foi implantado, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) prepara uma repactuação da concessão. O Ministério dos Transportes prevê a conclusão dos acessos portuários de Miritituba, Santarenzinho (PA) e Itapacurá (PA) até o fim de 2026. As obras fazem parte da estratégia de ampliação da capacidade de escoamento pelo Arco Norte. Na Região Sul, o governo estruturou a Rota Portuária do Sul, abrangendo as BRs-116 e 392, no Rio Grande do Sul. O projeto contempla investimentos em ampliação de capacidade, duplicações e melhorias operacionais nos acessos ao Porto de Rio Grande. Também está em desenvolvimento a Rota da Integração do Sul, voltada à ampliação da conectividade logística regional. A estratégia nacional para redução dos gargalos passa pela maior integração entre os diferentes modais de transporte.

O Plano Nacional de Logística (PNL) orienta a articulação entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, enquanto planos específicos estão sendo desenvolvidos para cada segmento de transporte. No setor ferroviário, o governo avalia uma carteira de aproximadamente 30 projetos destinados à reativação de trechos considerados ociosos. O levantamento foi realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a Infra S.A., com análise da malha ferroviária disponível no País. A Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário pretende realizar chamamentos públicos para identificar interessados na retomada desses segmentos, com possibilidade de participação do poder público e utilização de instrumentos de financiamento, incluindo apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quando aplicável. A ampliação da infraestrutura logística é considerada estratégica para acompanhar o crescimento da produção agrícola brasileira, reduzir custos de transporte, aumentar a eficiência dos corredores de exportação e fortalecer a competitividade do agronegócio no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.