27/Jul/2026
A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) alertou que o Brasil poderá enfrentar restrições no abastecimento de diesel durante a próxima safra caso o governo federal não amplie a subvenção ao combustível. A combinação entre a alta do petróleo no mercado internacional, a elevação dos preços dos derivados e a defasagem dos valores praticados pela Petrobras em relação à paridade de importação (PPI) reduz a atratividade das importações. Com o petróleo retornando para a faixa entre US$ 90,00 e US$ 100,00 por barril, os preços dos derivados acompanham a valorização internacional, especialmente o diesel, combustível essencial para operações agrícolas, transporte de cargas e abastecimento da cadeia produtiva. A manutenção dos preços da Petrobras abaixo da referência internacional tende a reduzir o volume de diesel importado, uma vez que os agentes privados podem ter dificuldade para competir internamente com os valores praticados pela estatal. Esse cenário, segundo a associação, pode comprometer a oferta disponível para atender à demanda da próxima safra agrícola.
O governo havia anunciado em maio uma subvenção de R$ 0,35 por litro para o diesel e de R$ 0,44 por litro para a gasolina, além de um subsídio adicional de R$ 1,12 por litro para o diesel. Posteriormente, a subvenção de R$ 0,35 por litro ao diesel foi suspensa, permanecendo o benefício de R$ 1,12 por litro. Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, no fim de fevereiro, os preços dos combustíveis vendidos pela Petrobras às distribuidoras passaram a apresentar maior descolamento em relação à paridade de importação. A situação também foi influenciada por restrições às exportações de diesel russo após ataques da Ucrânia à infraestrutura energética da Rússia, reduzindo uma fonte de produto com preços mais competitivos para importadores brasileiros. A defasagem dos preços internos chegou a superar 80% após o agravamento das tensões geopolíticas. No fechamento de 23 de julho, com o petróleo Brent acima de US$ 99 por barril, o diesel vendido pela Petrobras às distribuidoras estava próximo de R$ 3,30 por litro, enquanto o produto importado era negociado no mercado internacional pelo equivalente a R$ 5,60 por litro.
A Petrobras tem utilizado o fornecimento do próprio petróleo para refino e ampliado a produção de suas refinarias como estratégia para reduzir a necessidade de importações. A companhia ficou sem importar diesel em abril, maio e junho e retomou as compras externas em julho e agosto. O diesel vendido pela Petrobras no mercado brasileiro apresenta defasagem de 68% em relação ao PPI, enquanto a gasolina está 53% abaixo da referência internacional. Para equiparar os preços domésticos ao mercado externo, a associação calcula que a estatal poderia elevar o diesel em R$ 2,24 por litro e a gasolina em R$ 1,35 por litro. A Refinaria de Mataripe, na Bahia, controlada pela Acelen e responsável por 14% do abastecimento nacional, reajustou os preços dos combustíveis em 23 de julho. O diesel S-10 teve alta de 8,1%, o diesel S-500 aumentou 8,8% e a gasolina subiu 4,5%. Com os reajustes, a refinaria baiana manteve o diesel alinhado ao mercado internacional e reduziu a defasagem da gasolina para aproximadamente 1%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.