24/Jul/2026
A alta dos preços internacionais do petróleo e a elevação das margens de refino do diesel no mercado externo ampliaram as preocupações sobre o abastecimento do combustível no Brasil. A avaliação do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) é de que o governo poderá precisar elevar o subsídio ao diesel para reduzir os efeitos da disparada dos preços internacionais e evitar riscos de restrição de oferta no mercado interno. O subsídio vigente para o diesel está em R$ 1,12 por litro, enquanto a defasagem entre os preços praticados pela Petrobras nas refinarias e a referência internacional alcançava R$ 2,24 por litro no fechamento de 22 de julho, quando o petróleo Brent encerrou a cotação em US$ 94,00 por barril. A pressão sobre o mercado de combustíveis ocorre em meio à valorização do petróleo, que chegou próximo de US$ 100,00 por barril, e à redução das exportações russas de derivados.
A elevação do preço do diesel importado também reforçou o cenário de atenção: segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o produto importado subiu 13% em uma semana e atingiu média de R$ 5,279 por litro, maior valor em dois meses. O Brasil tem adotado medidas para reduzir a transmissão da volatilidade externa aos preços domésticos, incluindo programas de subvenção, redução de tributos e ampliação da produção nacional de derivados. Até junho, a Petrobras havia reduzido as importações de diesel, mas voltou ao mercado em julho e já possui cargas programadas para agosto. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), os volumes importados garantem o abastecimento nos meses de julho e agosto, em complemento à produção nacional.
O parque de refino brasileiro atende entre 70% e 80% da demanda doméstica de diesel, enquanto a Petrobras trabalha com a expectativa de alcançar a autossuficiência na produção do combustível em 2030. No caso da gasolina, a situação é diferente, já que a produção interna atende praticamente toda a demanda nacional, com necessidade de importações inferiores a 10%. A subvenção ao diesel havia sido reduzida parcialmente a partir de 1º de julho, com corte de R$ 0,35 por litro, após a perspectiva de acordo entre Estados Unidos e Irã ter levado o petróleo para patamares próximos de US$ 70 por barril. Com a retomada das tensões geopolíticas e restrições nos fluxos de petróleo, as cotações voltaram a subir, com o Brent alcançando US$ 99,87 por barril. O diesel comercializado no Brasil apresenta defasagem de 57% em relação à paridade de importação (PPI). Nas refinarias da Petrobras, a diferença chega a 71% em Suape, Pernambuco.
A Acelen, controladora da Refinaria de Mataripe, na Bahia, responsável por aproximadamente 14% do abastecimento nacional, elevou o preço do diesel em cerca de 8%, alinhando seus valores ao mercado internacional. A elevação dos preços do petróleo também está relacionada aos riscos sobre o fluxo global de oferta, especialmente diante das restrições em rotas estratégicas de transporte marítimo, como os Estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb. A possibilidade de interrupções no fornecimento do Oriente Médio aumenta as preocupações com menor disponibilidade de petróleo para processamento e com a ampliação das margens entre o petróleo e os derivados, especialmente gasolina e diesel. A manutenção de margens elevadas de refino no mercado internacional indica um cenário de maior pressão sobre os custos dos combustíveis, caso as refinarias globais enfrentem limitações para processar volumes suficientes de petróleo e atender à demanda mundial. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.