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24/Jul/2026

Aço: cenário é desafiador no mercado brasileiro

O Citi avalia que o mercado brasileiro de distribuição de aço permanece em um cenário desafiador, após acompanhar a reunião mensal de julho do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (INDA). A combinação de demanda enfraquecida e estoques elevados continua limitando a recuperação dos preços no setor. As vendas da distribuição registraram em junho a maior retração mensal de 2026, com queda de 6,9% em relação a maio. Para julho, o INDA projeta novo recuo de 2,0%. Paralelamente, os estoques voltaram a crescer, atingindo o equivalente a 3,7 meses de vendas em junho, com expectativa de avanço para 3,8 meses em julho, acima do nível considerado normalizado pelo setor, em torno de 3,0 meses. As tentativas de recomposição de preços continuam em curso, porém enfrentam resistência devido ao elevado volume de estoques existente ao longo da cadeia de distribuição.

As compras realizadas pelos distribuidores totalizaram 323,8 mil toneladas em junho, redução de 4,9% frente ao mês anterior, mas aumento de 4,4% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do primeiro semestre de 2026, o volume adquirido apresentou queda de 1,9% na comparação com igual período do ano anterior. Considerando a expectativa de novo recuo em julho, o acumulado entre janeiro e julho deverá registrar retração de 2,3% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O ambiente de importações tornou-se relativamente mais favorável às usinas brasileiras em 2026. Em junho, as importações nacionais de laminados planos recuaram 35,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a junho, a queda foi de 24,0% na comparação com o primeiro semestre de 2025.

Os indicadores de junho reforçam a avaliação cautelosa apresentada na reunião anterior do INDA. A demanda continua insuficiente para absorver o excesso de estoques e, com os distribuidores operando com cerca de 3,7 meses de produtos armazenados, permanece reduzido o incentivo para aceitar reajustes de preços. A principal condição para uma recuperação mais consistente dos preços e das margens do setor será a normalização dos estoques, movimento projetado para o final de 2026. Caso esse cenário se confirme, poderá haver espaço para melhora mais significativa do mercado ao longo de 2027. A velocidade desse processo dependerá do desempenho da demanda nos segmentos automotivo e de bens de capital, além da evolução da taxa de câmbio, fator considerado relevante para a formação dos preços do aço no mercado doméstico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.