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23/Jul/2026

Fertilizantes: piora na relação de troca ao produtor

Segundo o Itaú BBA, as relações de troca dos fertilizantes permaneceram desfavoráveis para diversas culturas na parcial de julho, refletindo um ambiente de crédito restrito, tensões geopolíticas e restrições na oferta internacional de matérias-primas. No mercado de nitrogenados, a ureia interrompeu uma sequência de dez semanas consecutivas de queda e registrou duas altas sucessivas. O movimento foi provocado pela intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelo fim do cessar-fogo em 17 de junho, fatores que reduziram a circulação de navios de carga no Estreito de Ormuz. Nesse cenário, o petróleo Brent voltou a ser negociado acima de US$ 90,00 por barril, enquanto a ureia CFR Brasil foi indicada em US$ 437,00 por tonelada. Outro fator de preocupação é a decisão da China de exigir inspeção obrigatória para as exportações de sulfato de amônio.

A medida aumenta o risco de atrasos na liberação das cargas e pode afetar o abastecimento brasileiro, considerando que a China respondeu por praticamente a totalidade do sulfato de amônio importado pelo Brasil em 2026. No segmento de fosfatados, o MAP permaneceu cotado ao redor de US$ 890 por tonelada CFR Brasil. Entre janeiro e junho de 2026, as importações brasileiras do produto recuaram 24%, totalizando 1,4 milhão de toneladas, em decorrência da menor oferta proveniente da Rússia e da Arábia Saudita. No mesmo período, as importações de superfosfato simples (SSP) diminuíram 14%, também somando 1,4 milhão de toneladas. A pressão sobre os custos da indústria química permanece concentrada no enxofre, negociado próximo de US$ 1.250,00 por tonelada. As importações brasileiras do insumo alcançaram 671 mil toneladas no primeiro semestre, redução de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo a ausência de embarques provenientes da Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.

O aumento do custo da matéria-prima levou indústrias de fertilizantes fosfatados no Brasil e em outros países a reduzir os níveis de produção. Para o cloreto de potássio (KCl), os preços permanecem estáveis e sem riscos logísticos relevantes no curto prazo. As importações brasileiras cresceram 6% no acumulado do ano, alcançando 7,3 milhões de toneladas no primeiro semestre, impulsionadas pelo aumento dos embarques oriundos do Canadá e do Turcomenistão, que compensaram parcialmente a redução da oferta da Rússia. A relação de troca para o KCl continua considerada favorável, com preços em 2026 inferiores à média registrada entre 2021 e 2025. Na avaliação por culturas, a valorização da soja melhorou a relação de troca com os fertilizantes. Em julho, são necessárias 34 sacas de 60 Kg de soja para adquirir 1 tonelada de MAP e 15 sacas de 60 Kg para a compra de 1 tonelada de KCl. No milho, a aquisição de 1 tonelada de ureia exige 35 sacas de 60 Kg de milho, enquanto 1 tonelada de KCl corresponde a 31 sacas de 60 Kg.

A relação de troca com o MAP permanece entre as mais desfavoráveis dos últimos cinco anos. Para o algodão, a relação de troca envolvendo o MAP também permanece no pior nível dos últimos cinco anos, enquanto a relação com a ureia apresentou melhora em comparação com junho. Entre as commodities analisadas, o café continua registrando a relação de troca mais favorável, sendo necessárias apenas 2 sacas de 60 Kg de café para a aquisição de 1 tonelada de MAP. No caso de açúcar, trigo e arroz, as relações de troca permanecem desfavoráveis tanto para o MAP quanto para o KCl. Na pecuária de corte, a relação de troca com o KCl atingiu os menores níveis da série histórica, permaneceu próxima da média histórica para o MAP e apresentou melhora em relação à ureia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.