21/Jul/2026
Segundo estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o uso de bioinsumos na agricultura da América Latina e do Caribe apresenta potencial para reduzir custos de produção, elevar a produtividade e ampliar a rentabilidade das propriedades rurais, além de fortalecer a sustentabilidade dos sistemas produtivos. Entretanto, os resultados econômicos variam conforme a cultura, as características do solo, as condições agroecológicas, a escala de produção e o nível tecnológico adotado. O levantamento aponta que a ‘América Latina e Caribe’ é atualmente a região de maior expansão do mercado de bioinsumos no mundo, com crescimento anual superior a 10%. O Brasil ocupa posição de destaque nesse processo, com 67% dos produtores utilizando bioestimulantes, biofertilizantes ou agentes de biocontrole, percentual significativamente superior à média global de 38%.
A busca por alternativas biológicas ganhou impulso após a forte elevação dos preços internacionais dos fertilizantes provocada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. Em 2022, o valor das importações de fertilizantes pela América Latina e Caribe aumentou 137%, estimulando investimentos em tecnologias capazes de reduzir a dependência de insumos importados. Os estudos de caso conduzidos na Argentina, Bolívia, Brasil, Costa Rica e México demonstram que, em culturas como cana-de-açúcar, soja e uva, a utilização de bioinsumos comerciais combinada com a redução parcial de agroquímicos proporcionou ganhos econômicos por meio do aumento da produtividade e da redução dos custos de produção. Nos sistemas baseados em bioinsumos produzidos nas próprias propriedades, os resultados foram mais heterogêneos, uma vez que, em determinadas situações, o maior emprego de mão de obra reduziu parte dos benefícios financeiros.
A pesquisa também conclui que a produção de bioinsumos nas propriedades rurais pode ser competitiva em relação aos produtos comerciais, especialmente em regiões mais distantes dos centros de distribuição, desde que sejam adotados protocolos técnicos adequados e sistemas de controle de qualidade. O estudo também aponta viabilidade econômica para biofábricas cooperativas dimensionadas de acordo com a demanda regional. Além dos ganhos econômicos, a FAO destaca benefícios ambientais associados ao uso de bioinsumos, incluindo a redução das emissões de gases de efeito estufa e o uso mais eficiente da água.
Contudo, parte desses benefícios ainda não é plenamente mensurada, principalmente em aspectos relacionados à melhoria da saúde do solo, à conservação da biodiversidade e aos impactos positivos sobre a saúde humana. Outro fator relevante apontado pelo estudo é o potencial dos bioinsumos para facilitar o acesso a mercados internacionais com exigências mais rigorosas em relação aos limites de resíduos de pesticidas, favorecendo cadeias exportadoras como café, cacau, banana e abacate. Com base nos resultados obtidos, a FAO recomenda ampliar o financiamento e a assistência técnica aos produtores, fortalecer a geração de evidências científicas, aperfeiçoar os sistemas de controle de qualidade e consolidar marcos regulatórios capazes de ampliar a confiança do mercado e acelerar a adoção dos bioinsumos na região. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.