17/Jul/2026
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defende que o governo brasileiro priorize o diálogo com os setores afetados pela nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e evite a adoção de medidas de reciprocidade comercial. A entidade avalia que a negociação bilateral representa o caminho mais adequado para reduzir os impactos da medida e preservar as relações econômicas entre os dois países. Além de manter as negociações com o governo norte-americano em busca da ampliação da lista de produtos isentos das sobretaxas, o governo brasileiro deverá discutir com os setores afetados instrumentos capazes de mitigar os impactos sobre a indústria exportadora.
Entre os mecanismos considerados relevantes pela entidade está a ampliação do Plano Brasil Soberano, iniciativa lançada após a primeira rodada de tarifas, em 2025, que disponibiliza linhas de crédito por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para reduzir os efeitos das restrições comerciais sobre os exportadores. A Abimaq também cita a necessidade de avanço do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), atualmente em tramitação, que restitui parte dos tributos incidentes ao longo da cadeia produtiva com o objetivo de desonerar as exportações brasileiras.
O setor de máquinas e equipamentos deverá manter a atuação junto às autoridades brasileiras e norte-americanas para buscar a inclusão de novos produtos na lista de exceções às tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos. As novas tarifas ampliam as incertezas para o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos. Os Estados Unidos permanecem como o principal mercado de exportação para a indústria brasileira de máquinas e equipamentos. Em 2025, as exportações brasileiras do setor para os Estados Unidos somaram aproximadamente US$ 3,2 bilhões, enquanto as vendas norte-americanas de máquinas e equipamentos ao Brasil atingiram cerca de US$ 4,8 bilhões, evidenciando a elevada integração produtiva e a complementaridade comercial entre as duas economias.
Parcela significativa desse fluxo comercial ocorre entre empresas do mesmo grupo econômico (intercompany), refletindo investimentos produtivos realizados por empresas norte-americanas no Brasil e por empresas brasileiras nos Estados Unidos. Nesse contexto, a elevação das tarifas tende a aumentar custos, reduzir a competitividade, comprometer investimentos e afetar a eficiência das cadeias produtivas instaladas nos dois países, produzindo impactos que vão além da relação comercial bilateral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.