16/Jul/2026
A mineradora australiana Viridis Mining & Minerals planeja investir cerca de US$ 400 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 2 bilhões, no desenvolvimento do Projeto Colossus, voltado à produção de terras raras em Poços de Caldas (MG). O empreendimento está entre os maiores projetos de terras raras fora da China e reforça o interesse de investidores internacionais no potencial mineral brasileiro, que abriga a segunda maior reserva mundial desses minerais, atrás apenas da China. A empresa adquiriu, em 2023, a totalidade dos direitos minerários do Projeto Colossus, abrangendo uma área de 235 quilômetros quadrados localizada na região de um antigo vulcão. A expectativa é obter a licença de instalação do empreendimento junto ao órgão ambiental entre outubro e novembro deste ano. A partir dessa autorização, os acionistas deverão deliberar sobre a decisão final de investimento. Como parte da preparação para a implantação do projeto, a Viridis inaugurou recentemente uma planta-piloto destinada ao processamento do minério para validação da tecnologia que será utilizada na produção de óxidos de terras raras e na disponibilização de amostras para potenciais clientes.
A unidade recebeu investimento de R$ 25 milhões, possui capacidade para processar 100 quilos de minério por hora e produzir anualmente 2.920 quilos de carbonato misto de elementos de terras raras. Entre os principais elementos presentes no projeto destacam-se neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb), além de samário, ítrio e gadolínio. Esses minerais são considerados insumos estratégicos para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos, além de aplicações nos setores de defesa terrestre e aeroespacial. Atualmente, a China concentra cerca de 70% da produção global de terras raras e mais de 90% das etapas de separação, refino e fabricação de ímãs permanentes. O Projeto Colossus possui reservas medidas e indicadas de 305 milhões de toneladas. A operação comercial está prevista para iniciar no quarto trimestre de 2028, com vida útil estimada em 20 anos e capacidade de produção de 9,5 mil toneladas anuais de carbonato misto de óxidos de terras raras.
Até o momento, a empresa informa ter investido aproximadamente US$ 70 milhões em atividades de pesquisa mineral, prospecção, sondagens, perfurações e estudos de engenharia relacionados ao empreendimento. Para viabilizar a implantação do projeto, a Viridis estrutura uma combinação de fontes de financiamento envolvendo capital próprio, bancos de desenvolvimento, fundos de investimento e agências de crédito à exportação. A participação da companhia está estimada em US$ 72 milhões, cerca de R$ 370 milhões. Em 2025, a empresa foi contemplada pelo fundo de apoio a minerais críticos e estratégicos estruturado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com a Vale. O consórcio formado por Ore Investments e Régia Capital foi selecionado para aportar US$ 30 milhões no Projeto Colossus, divididos em parcelas de US$ 5 milhões que começaram a ser liberadas. A mineradora também firmou carta de intenções com a Export Development Canada (EDC), agência oficial de crédito à exportação do Canadá, que manifestou interesse em disponibilizar até US$ 100 milhões, aproximadamente R$ 515 milhões, para apoiar a fase de implantação do projeto.
Outra potencial fonte de recursos é o Bpifrance, banco público de investimentos da França, que avalia disponibilizar financiamento de até US$ 100 milhões. Paralelamente, a companhia negocia operações de crédito, participação acionária ou ambas junto ao BNDES e à BNDESPar para apoiar a próxima etapa de desenvolvimento do empreendimento. O plano financeiro também contempla recursos da Export Finance Australia, agência oficial de crédito à exportação do governo australiano, com previsão de até US$ 50 milhões. Na área comercial, a Viridis assinou, em junho, uma carta de intenções para fornecimento de longo prazo de concentrado de terras raras à multinacional belga Solvay. O acordo prevê o abastecimento da unidade industrial da empresa em La Rochelle, na França, a partir de 2028, com fornecimento de concentrados destinados à produção de óxidos de neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Como contrapartida, a Solvay deverá transferir tecnologia de processamento e separação de terras raras para a Viridis, contribuindo para o desenvolvimento da cadeia produtiva brasileira. A planta de La Rochelle está entre as maiores unidades de separação de terras raras fora da China.
Além da mineração, a empresa desenvolve uma joint venture com a australiana IRX para criação da Viridion, dedicada ao processamento, refino e reciclagem de ímãs permanentes contendo terras raras. A unidade de demonstração deverá iniciar operação no segundo semestre de 2027, também em Poços de Caldas, integrando o futuro Centro de Refino, Reciclagem e Inovação de Terras Raras (CRITR), voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva desses minerais no Brasil. A estrutura acionária da Viridis é composta por investidores individuais, empresas de capital aberto, investidores institucionais e fundos. Os cerca de 20 principais acionistas concentram 57,6% do capital da companhia, entre eles BNP Paribas, UBS, Citicorp, Ionic Rare Earths, Sufian Ahmad, controlador da 62 Capital com participação de 9%, e Agha Pervez, presidente do conselho de administração, com participação de 6%. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.