15/Jul/2026
Segundo a Organização Mundial de Agricultores (WFO), a alta expressiva dos preços dos fertilizantes já provoca mudanças na aplicação de insumos, no cronograma de plantio e nas decisões de produção dos agricultores. Os impactos mais intensos recaem sobre a agricultura familiar e os pequenos produtores. Apesar das preocupações com eventuais interrupções nas cadeias de suprimentos, o principal obstáculo neste momento é a capacidade financeira dos produtores para adquirir adubos, e não necessariamente a disponibilidade física dos produtos. Com a elevação dos custos, produtores têm reduzido as doses de nutrientes aplicadas nas lavouras, adiado compras de fertilizantes e, em alguns casos, postergado a semeadura.
Os efeitos dessas decisões ainda não são totalmente perceptíveis nos mercados de alimentos, mas podem aparecer ao longo dos ciclos produtivos, com impactos sobre a produtividade e a oferta global de alimentos. A capacidade de absorção da alta dos custos varia entre os produtores. Pequenos agricultores e integrantes da agricultura familiar enfrentam maiores restrições de liquidez, menor capacidade de armazenagem e menos acesso a mecanismos de compra antecipada, enquanto produtores de maior escala conseguem administrar melhor a volatilidade de curto prazo por meio de reservas financeiras e estratégias coletivas de aquisição.
A WFO defende o fortalecimento de cooperativas para compras conjuntas, ampliação da oferta de crédito sazonal, manutenção de estoques estratégicos e diversificação de fornecedores e rotas comerciais como medidas para reduzir a vulnerabilidade do setor. A entidade também destaca a necessidade de maior transparência na formação dos preços dos fertilizantes. Nos países do Hemisfério Sul com elevada dependência das importações de adubos, as prioridades incluem investimentos em biofertilizantes, análise de solo e serviços de assistência técnica, ferramentas consideradas fundamentais para melhorar a eficiência do uso de nutrientes, mas ainda com acesso limitado entre pequenos produtores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.